250 mil mortos nos EUA. Segunda vaga é pior nos estados que não impuseram restrições

Desde o início da pandemia, mais de 250 mil norte-americanos morreram com covid-19. Número de infetados é superior a 11,6 milhões

Os EUA ultrapassaram o número simbólico das 250 mil mortes por covid-19 e a pandemia está longe de estar controlada no país. Dados de um índice preparado pela Universidade de Oxford e analisado pelo jornal The New York Times mostram que os piores surtos no país ocorrem agora em estados que aplicaram menos medidas para prevenir a transmissão.

Especialistas, como o principal perito em doenças infecciosas nos EUA, Anthony Fauci, defendem uma política "nacional uniforme" e não uma política "desarticulada" estado a estado. O presidente eleito, Joe Biden, está já a planear uma resposta à pandemia - além de pedir aos norte-americanos que usem máscara - mas esbarra na recusa do presidente Donald Trump, que ainda está a pôr em causa os resultados eleitorais, de avançar com a transição de poder.

Entretanto, os EUA registaram mais 172 391 novos casos de covid-19 em 24 horas, num total de mais de 11,6 milhões desde o início da pandemia, assim como mais 1923 mortes. Oficialmente, já morreram 250 409 pessoas devido ao novo coronavírus.

"Estados que mantiveram políticas de controlo de forma mais consistente evitaram um aumento repentino no verão e estão agora num pico mais pequeno no outono, ao contrário de estados que recuaram demasiado depressa, como a Florida ou o Texas", disse ao The New York Times o professor associado de políticas públicas globais da Escola de Governação Blavatnik, Thomas Hale, que lidera a iniciativa de seguimento de Oxford. "Acho que o timing importa verdadeiramente nestas decisões", acrescentou.

O índice avalia as medidas que o governo pode tomar, desde tornar obrigatório o uso de máscara ou restringir a atividade económica e os contactos, atribuindo um valor de 0 a 100 a casa estado. O nível mais elevado no esforço de contenção foi registado em Nova Iorque (80), sendo que no início do mês a maioria dos estados estava num nível 40 ou 50. Entretanto vários já intensificaram as medidas, como o Iowa, o Dacota do Norte ou o Utah, que pela primeira vez estão a impor o uso de máscara obrigatório.

Se na primeira fase da pandemia não era tão visível o impacto das medidas de confinamento, porque todos os estados acabaram por as aplicar (ainda que em casos como Nova Iorque, segundo os especialistas, tarde de mais), "uma relação entre as políticas e a severidade do surto tornou-se mais clara à medida que a pandemia progride".

No Dacota do Norte, por exemplo, depois de restrições iniciais em março, quando todos os outros estados também aplicaram, com o fecho de bares, restaurantes, ginásios, teatros ou escolas, o governador Doug Burgum optou pela reabertura total em maio. Durante uns meses, a situação não piorou, mas agora quase um em cada dez habitantes testou positivo - cerca de um terço nas últimas duas semanas, e quase um em mil morreram do vírus.

Como em qualquer regra, há exceções. O Novo México ou Rhode Island aplicaram medidas de contenção, mas continuam a enfrentar surtos graves. Neste segundo caso, os críticos dizem que apesar de a governadora Gina Raimondo ter fechado rapidamente na primavera, tem sido mais branda nas medidas de contenção nesta segunda fase (o recolher não é obrigatório, apenas aconselhado, entre as 22.00 e as 05.00, e restaurantes e ginásios continuam abertos, apenas com horários de fecho mais cedo).

Ainda assim, Hale explica ao jornal que os dados provam que atuar rapidamente e em força é a melhor forma que os governos têm de combater o vírus. Quanto mais rápido atuarem, mais curto poderá ser o período de confinamento.

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