19 horas e 19 minutos de voo: dois nasceres do Sol, três refeições e até ginástica

A companhia aérea australiana Qantas Airways deverá fazer uma encomenda de aviões preparados para longas distâncias após um voo de teste entre Londres e Sydney que durou 19 horas e 19 minutos. Tempo mais do que suficiente para várias atividades, como comprovou a equipa da CNN a bordo.

Chama-se Projet Sunrise, ou seja, Projeto Nascer do Sol, e quem fizer o voo sem escalas entre Londres e Sydney poderá assistir a dois nasceres do Sol. Foi essa a experiência que viveram os passageiros do voo de teste realizado pela companhia aérea australiana Qantas Airlines na sexta-feira e que durou 19 horas e 19 minutos, batendo o recorde de um anterior teste.

No final da viagem, o segundo de três voos de teste realizados pela companhia aérea, o CEO da Qantas, Alan Joyce, explicou aos jornalistas que uma encomenda para aviões para longas distâncias poderá ser feita já no próximo ano. O objetivo é fixar esta rota e torná-la economicamente eficiente e comercialmente rentável.

A bordo estiveram vários convidados, inclusive os jornalistas da CNN que fizeram um relato pormenorizado da viagem.

Neste momento, os voos comerciais mais longos existentes ficam pouco acima das 17 horas - como acontece entre Singapura e Nova Iorque, entre Doha e Auckland ou entre Perth e Londres - mas o objetivo da Qantas é ter capacidade para chegar às 22 horas de voo sem escalas.

Para isso acontecer, as companhias aéreas precisam de aviões mais eficientes, como o Airbus A350 ou o Boeing 787 Dreamliner.

Mas o que aconteceu neste voo de teste? Os jornalistas da CNN começaram por se maravilhar "com o quão espantoso é uma máquina enorme como aquela consiguir voar". Já no interior do Dreamliner da Qantas, os passageiros foram todos concentrados na zona da classe executiva, na frente do avião, deixando os 150 lugares da classe económica vazios. Para manter o equilíbrio do aparelho, os passageiros foram convidados a colocar a bagagem de mão na zona traseira da cabine, usando esse espaço também para fazerem algum exercício - bem necessário numa viagem tão longa.

Tentando aumentar a eficiência do aparelho e reduzir o consumo de combustível, todos os carrinhos com comida e bebida estavam na zona traseira. A bordo, álcool só mesmo vinho, mas "havia uma quantidade surpreendente de água de coco", escrevem Richard Queste e Barry Neild, os jornalistas da CNN.

Jet lag e ginástica

Após um voo com mais de 19 horas, o jet lag é inevitável. O segredo, segundo a investigadora da Monash Tracey Sletten, que estava a bordo, é "a luz". "A altura do dia em que se expõe à luz e a intensidade dessa luz vão ajudar com o jet lag mais do que qualquer outra coisa".

Quem embarca neste voo é encorajado a cumprir uma rotina que exige exercício de ginástica. Todos devem caminhar ao longo do corredor, fazendo agachamentos, num ritual de aquecimento para ativar a corrente sanguínea, esticar os músculos e reduzir a rigidez corporal.

A comida também ajuda. Por isso, a bordo são servidas três refeições, distribuídas de forma a dar tempo aos passageiros para dormir logo no início da viagem. A começar pelo jantar rico em hidratos de carbono, que ajuda à sonolência.

Mas nem tudo é mau num voo de mais de 19 horas - afinal não é todos os dias que podemos ver dois nasceres do Sol pela janela do avião. Claro que num voo regular que esteja cheio o espaço para se exercitar será menor, mas para já, e sem acesso à internet a bordo, a viagem entre Londres e Sydney pode também ser uma forma de desintoxicar das novas tecnologias.

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