UE. Líderes voltam à mesa das negociações, com tudo por decidir. Costa espera que haja "espírito aberto"

António Costa espera que haja "espírito aberto" para quebrar o impasse nas negociações dos cargos de topo da União Europeia.

Os líderes europeus reúnem-se esta terça-feira em Bruxelas, pela quarta vez, na tentativa de fecharem um acordo para as lideranças institucionais na União Europeia, depois de ontem todos os planos que estiveram em cima da mesa, terem sido rejeitados.

Na reunião de hoje, socialistas e liberais mantém inalterado o seu plano original, propondo o nome Frans Timmermans para a presidência da comissão Europeia.

António Costa espera conhecer as propostas do grupo de países que boicotam este plano, vindo com a estratégia de ouvir o que têm a dizer, "com os ouvidos atentos e mente aberta para encontrarmos boas soluções".

"Espero que seja assim que todos estejam a chegar a este Conselho e que hoje fiquemos menos horas, aqui neste edifício, do que da ultima vez que aqui entramos", disse o primeiro-ministro, referindo-se à reunião de ontem, durante a qual não foi possível chegar a um acordo, apesar da maratona, que durou quase 19 horas.

Osaka

O plano de Osaka é o que está em cima da mesa, no arranque da cimeira, entregando a presidência do Conselho ao PPE, a liderança partilhada entre os liberais e o PPE no Parlamento Europeu e António Costa considera que ainda há a "hipótese" de eleger Frans Timmermans para a Comissão Europeia.

Ainda não é certo que seja alcançada uma solução, mas o primeiro-ministro considera que o Conselho não deveria perder a oportunidade de dar o pontapé de saída para a distribuição das lideranças institucionais.

"É importante, para que possamos ter uma solução global - e que o Conselho não seja previamente condicionado, pelas decisões da outras instituições -, possamos nós fazer as escolhas que nos compete fazer atempadamente. E espero que, se todos com espírito aberto, se sentarem à mesa de uma forma construtiva, acho que hoje temos também todas as condições para isso", afirmou António Costa, esperando que a solução esteja para breve.

"Ontem, verdadeiramente, estivemos a muito pouco - a uma distancia muito pequena de haver decisão. Provavelmente, com menos cansaço, o acordo teria sido fechado ontem", disse.

Criatividade

À chegada à cimeira, a chanceler alemã, Angela Merkel prometeu "trabalhar hoje com nova criatividade", considerando que "todos precisam de entender que precisam mover um pouco" as suas posições.

A chefe do governo alemão, que ontem não conseguiu fazer vingar o pré-acordo que tinha negociado com os socialistas e liberais, à margem da cimeira de Osaka, no Japão, acredita que hoje "há a chance - e acho que também é nosso dever -, de alcançar resultados".

"É nessa atitude mental que abordo o encontro de hoje", disse a chanceler, apontando que apesar do cansaço do dia anterior estava hoje "feliz e determinada".

Spitzenkandidat

Nesta altura continua por esclarecer se vai ser possível salvar o processo do spitzenkandidat. O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, que ontem era um dos opositores do plano colocado em cima da mesa, voltou hoje a contrariar este modelo.

"Não podemos escolher o Presidente da Comissão utilizando o critério Spitzenkandidat, o critério político não pode ser o único", disse, embora reconheça que "obviamente, esta nomeação terá de ser validada pelo PE, pelo que não seria realista não considerar o aspeto político".

"No entanto, existem outros: geografia, personalidade, experiência e género. Hoje, deixe-me dizer, gostaríamos de uma mulher", afirmou o governante, que ontem estava ao lado de um grupo de primeiros-ministros que propunha o nome de Kristalina Georgieva.

A Búlgara, diretora do Banco Mundial, antiga comissária dos orçamentos, deixou o executivo comunitário, em novembro de 2016, para concorrer à liderança das nações unidas, perdendo para o português António Guterres.