Morreu Gabriel García Márquez, Nobel da Literatura (1927-2014)

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Gabriel García Márquez, de

87 anos, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1982, que

morreu hoje na Cidade do México, não publicava desde 2010, quando

foi dado à estampa "Yo no vengo a decir un discurso" ("Eu

não venho dizer um discurso").

O autor de "Cem anos de solidão", que os amigos

tratavam por "Gabo", tinha anunciado em 2009 que se

retirava, e o livro publicado no ano seguinte, reuniu apenas material

disperso das suas alocuções em público, as quais iniciava

invariavelmente com a frase "Eu não venho dizer [fazer] um

discurso", informou na altura a editora Mondadori.

Em 2012, o seu irmão Jaime García Marquez dava conta de que lhe

tinha sido diagnosticada uma demência, que perdera a memória e que

o autor de "Cem anos de solidão" não voltaria a escrever.

"Memória das minhas putas tristes", editado em 2004, é

assim o último livro de ficção de um autor de causas, que nunca

escondeu simpatias, nomeadamente pelo regime cubano de Fidel Castro.

O romance sucedeu a "Do Amor e outros demónios", publicado

dez anos antes.

"Gabo", no verão de 1975, visitou Lisboa, para ver de

perto a revolução que se desenrolava, e sobre a qual escreveu três

reportagens para a revista "Alternativa", por si fundada.

A um amigo, o jornalista Juan Gossaín, escreveu um postal com o

Tejo em que dizia: "Lisboa é a maior aldeia do mundo. Quando

chegar, conto-te desta revolução", recordou ao Diário de

Notícias, o destinatário.

A sua bibliografia é de pouco mais de 30 títulos, entre

romances, novelas, crónicas, material jornalístico e uma

autobiografia, "Vivir para contarla" ("Viver para

contar"), de 2002, tendo sido também argumentista com o seu

amigo, o escritor mexicano Carlos Fuentes.

"O amor em tempos de cólera", "Notícia de um

sequestro", "O outono do patriarca", "Ninguém

escreve ao coronel" são alguns dos seus títulos na área de

ficção, tendo García Marquez sido distinguido com vários prémios,

entre os quais o Romulo Gallegos, Neustadt de Literatura e o Nobel.

O discurso que leu em Estocolmo quando recebeu o Nobel de

Literatura, em 1982, "A solidão da América Latina",

tornou-se um texto de referência da sua obra literária.

O escritor era apontado como um dos expoentes da denominada

corrente literária "Realismo Mágico", de que o seu livro

"Cem anos de Solidão" é paradigma.

Em 2010, quando editou "Yo no vengo a decir un discurso",

em comunicado afirmou: "Lendo estes discursos, redescubro como

mudei e fui evoluindo como escritor".

Natural de Aracataca, na Colômbia, onde nasceu no dia 06 de março

de 1927, ficou a viver nesta cidade com os avós, quando os pais se

mudaram para Barranquilla.

O avô era o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía, um veterano

da Guerra dos Mil Dias, e a sua avó, Tranquilina Iguarán. Segundo

especialistas da Literatura, estes exerceram forte influência nas

histórias do autor, destacando-se as personagens de "Cem anos

de Solidão".

Em 1947, García Márquez mudou-se para Bogotá para estudar

Direito e Ciências Políticas, curso que abandonou, mudando-se para

Cartagena de las Indias e empregando-se como jornalista no colombiano

El Universal.

Fez parte ainda, entre outras, das redações do El Heraldo e do

El Espectador.

"La Hojarasca" foi o seu primeiro romance, publicado em

1955, já depois de casado, e de ter vivido nos Estados Unidos, onde

foi espiado pela CIA, dadas as suas simpatia pelo regime de Havana.

Em 1961 publicou o segundo romance, "Ninguém escreve ao

coronel", editado originalmente em português pelas Publicações

Europa-América, a primeira editora do escritor em Portugal, antes da

Publicações D. Quixote.

A Asa ("Relato de um náufrago") e a antiga editora

livreira do semanário O Jornal, com as primeiras traduções de "A

aventura de Miguel Litín, clandestino no Chile" e "Crónica

de uma morte anunciada", foram outras chancelas de García

Márquez em Portugal.

Desde os inícios da década de 1960 que Gabriel García Márquez

vivia no México, onde, em 1994, criou, com um irmão, a Fundação

do Novo Jornalismo Iberoamericano.

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