Montenegro anuncia reforço de 500 milhões de euros na linha de crédito Portugal-Angola
AMPE ROGÉRIO/LUSA

Montenegro anuncia reforço de 500 milhões de euros na linha de crédito Portugal-Angola

O primeiro-miistro aterrou em Luanda pouco depois das 07:00 e o programa oficial arrancou às 10:00 (mesma hora em Lisboa) no Memorial Agostinho Neto, um monumento construído na Praça da República, em Luanda, para perpetuar a memória do primeiro Presidente de Angola.
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O primeiro-ministro português anunciou esta terça-feira o reforço da linha de crédito Portugal-Angola em mais 500 milhões de euros e assumiu como objetivo dar um "novo grande impulso" nas relações entre os dois países, sobretudo económicas.

Luís Montenegro falava no Palácio Presidencial, depois de um encontro a sós com o Presidente da República de Angola, João Lourenço, e antes do encontro das comitivas alargadas dos dois países.

"Quero anunciar-vos o que comuniquei ao Presidente João Lourenço: a linha de crédito que neste momento ascende a dois mil milhões de euros será reforçada em mais 500 milhões de euros", disse.

O primeiro-ministro afirmou que, apesar de esta linha não estar ainda esgotada, este aumento "é um sinal de confiança no futuro de Angola".

"Ajudará as empresas portuguesas e o Governo de Angola a fazerem investimentos em infraestruturas e também noutros domínios que possam favorecer a diversificação da economia angolana e a criação de condições para o desenvolvimento do país", disse.

Luís Montenegro assumiu como objetivo do XXIV Governo Constitucional dar continuidade ao que foi feito no passado nas relações bilaterais com Angola, mas não só.

"O nosso objetivo é mesmo criar um novo impulso, um novo grande impulso na relação dos dois países e nas relações económicas em particular", afirmou.

O primeiro-ministro enfatizou que Portugal é um parceiro de Angola "em todas as horas", tal como acontece no sentido inverso, e agradeceu o apoio deste país no período da "troika", no tempo em que era líder parlamentar do PSD.

"Eu próprio não me esqueço, pelas responsabilidades políticas que tive no passado, da forma como o Governo angolano, as empresas angolanas, as instituições angolanas estiveram ao lado de Portugal num momento de maior aflição financeira em que a nossa economia estava altamente condicionada", disse.

Por isso, frisou, "é com o mesmo espírito solidário que os portugueses procuram também ajudar ao crescimento de Angola, ao fomento da sua atividade económica e à transformação dessa atividade em mais empregos, em melhores empregos e em criação de condições para haver mais bem-estar nos angolanos".

"Exemplo disso são as mais de 1.250 empresas que neste momento operam em território angolano, produzindo para o mercado interno e muitas delas, felizmente, também para o mercado externo, para países vizinhos de Angola, que são hoje também destino de produtos que correspondem a exportações angolanas, mas que estão na base da produção de empresas portuguesas", disse, na véspera de visitar a Feira Internacional de Luanda (FILDA).

Num âmbito mais geral, Montenegro salientou o significado desta visita acontecer "ao fim de apenas três meses de exercício de mandato", referindo-se a Angola como "um país irmão".

"Desde a educação à justiça, desde a cultura e a preservação e fomento da língua portuguesa até às relações económicas, muitos têm sido os domínios nos quais vimos estreitando o nosso relacionamento a bem da prosperidade dos nossos países e do bem-estar dos nossos povos", salientou.

IEFP vai começar em trabalhar em Angola para promover formação e garante reforço na atribuição de vistos

 O primeiro-ministro português anunciou hoje que o Instituto de Emprego e Formação Profissional começará a trabalhar em Angola para promover a formação profissional de quadros angolanos e garantiu mecanismos para reforçar a atribuição de vistos entre os dois países.

Luís Montenegro fez uma declaração no Palácio Presidencial, em Luanda, depois de um encontro a sós com o Presidente da República de Angola, João Lourenço, e antes do encontro das comitivas alargadas dos dois países, no âmbito da visita oficial de três dias a este país que hoje iniciou.

"O nosso Instituto de Emprego e Formação Profissional começará a trabalhar em Angola com o intuito de promover a formação profissional de quadros angolanos, seja para atividades desenvolvidas no território, seja para aqueles que procuram ir trabalhar para Portugal", disse, enquadrando esta iniciativa em protocolos de colaboração que serão acordados entre os Ministérios da Segurança Social.

O objetivo, explicou, será que estes cidadãos possam ter uma entrada no mercado de trabalho português "mais favorecida, mais ágil e mais capaz de poder ter um desenvolvimento e um acolhimento eficazes".

Montenegro reafirmou também garantias de que as recentes alterações à política de imigração em Portugal "mantêm intactas todas as condições para haver uma mobilidade fluida entre os cidadãos portugueses que vêm para Angola e os cidadãos angolanos que procuram Portugal".

"A este último respeito, quero reafirmar que as recentes alterações que promovemos em Portugal na nossa política de imigração não alteraram em nada aquela que é a porta de entrada que estabelecemos com os países da comunidade que fala a língua portuguesa", disse.

Em concreto para Angola, o primeiro-ministro assegurou o reforço "em três grandes áreas": "Agilizando procedimentos e reforçando os recursos humanos nos postos consulares, e proporcionando um serviço mais transparente e combatendo o açambarcamento de vagas, que é um dos óbices que têm muitas vezes impedido cidadãos Angolanos de obterem as marcações e os vistos respetivos".

Início da visita oficial a Angola com deposição de coroa de flores no Memorial Agostinho Neto

O primeiro-ministro português iniciou esta terça-feira a visita oficial a Angola com uma deposição de coroa de flores no Memorial Agostinho Neto, o primeiro Presidente da República de Angola.

Luís Montenegro aterrou em Luanda pouco depois das 07:00 e o programa oficial arrancou às 10:00 (mesma hora em Lisboa) no Memorial Agostinho Neto, um monumento construído na Praça da República, em Luanda, para perpetuar a memória do primeiro Presidente de Angola.

Foi inaugurado em 2012 pelo Presidente José Eduardo dos Santos, sendo constituído por um bloco central que comporta o sarcófago onde repousam os restos mortais de Agostinho Neto, bem como um museu, centro de documentação e outras infraestruturas.

O jazigo do Presidente José Eduardo dos Santos também se encontra nesta Praça, num edifício adjacente.

O primeiro-ministro português depôs uma coroa de flores no sarcófago do primeiro Presidente da República de Angola, fez uma visita ao Memorial e a assinou o livro de honra.

"É com imensa honra e gosto que, na minha primeira visita a Angola, deixo um testemunho de respeito e admiração pela vida de Agostinho Neto", escreveu.

Esta é a primeira visita oficial de Montenegro a Angola e, segundo o executivo português, traduz a prioridade conferida pelo Governo ao fortalecimento do relacionamento com os países de expressão portuguesa e, em particular, com Angola.

Na deslocação, que passará por Luanda e Benguela, o primeiro-ministro está acompanhado pelos ministros de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Economia, Pedro Reis, além do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Nuno Sampaio, (em representação do ministro da tutela, Paulo Rangel, que se encontra no Rio de Janeiro na reunião do G20) e o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes.

Depois da cerimónia no Memorial, segue-se o ponto alto do primeiro dia: o encontro com o Presidente da República de Angola, João Lourenço, no Palácio Presidencial, antecedido de honras militares e cerimónia de revista às tropas.

As conversações entre as delegações dos dois países começarão primeiro com um encontro a sós entre Luís Montenegro e João Lourenço, a que se juntarão depois as comitivas alargadas, terminando com intervenções dos dois chefes de Governo e uma conferência de imprensa conjunta.

Nessa ocasião, serão assinados vários instrumentos jurídicos entre os dois países.

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