BBVA descarta aquisições em Portugal e mantém foco no "negócio de nicho"
O BBVA Portugal vai continuar focado no seu modelo de negócio atual, priorizando o crescimento rentável dentro dos segmentos de nicho onde já opera e descartando qualquer plano de expansão por via de aquisições no mercado nacional.
A garantia foi dada, num dos painéis da Money Conference (evento organizado pelo DN) que juntou os challengers na banca em Portugal, pelo presidente da comissão executiva da instituição, Luís Castro e Almeida, que justificou a postura da entidade com a necessidade de manter o foco operacional numa fase positiva do ciclo económico, desvalorizando as recentes movimentações de consolidação vividas no setor financeiro português.
"Houve oportunidades no mercado português, há pouco tempo, e houve bancos que foram comprados em Portugal recentemente. Foram oportunidades que foram consideradas por outros bancos como uma oportunidade e nós não considerámos e, portanto, hoje em dia o nosso foco é continuar a ser o banco nicho que somos e crescer nesse nicho de mercado", afirmou o gestor.
O líder do banco abordou também a complexidade e a gestão da estrutura de custos da atividade bancária, distinguindo os encargos supérfluos daqueles que considera estruturais e vitais para a segurança e proteção das empresas e dos clientes.
Neste âmbito, Luís Castro e Almeida explicou que a integração numa matriz global funciona como uma "balança que está sempre desequilibrada", mas cujo saldo final é amplamente favorável à operação portuguesa, em larga medida devido à capacidade de diluição dos pesados investimentos em tecnologia e conformidade regulatória que afetam todo o setor. "Há desenvolvimentos que são feitos para todas as geografias e depois os custos são descarregados em todas as geografias. Uma geografia está a pagar uma percentagem pequena de um custo que, numa entidade que é local, esse custo entra todo", argumentou.
Por outro lado, o administrador reconheceu que pertencer a um grupo multinacional cotado em bolsa e com presença bancária direta em 30 países acarreta um nível de exigência interna severo, que muitas vezes ultrapassa as próprias imposições dos supervisores financeiros locais.
Esta rigidez decorre do risco reputacional acrescido, uma vez que o mercado tende a extrapolar qualquer falha isolada para a totalidade da marca à escala global. "Não se pode dar ao luxo de ter um problema num país, porque o mercado vai interpretar que, se tenho um problema neste país, tenho um problema no grupo todo", referiu o responsável.
Apesar destas exigências adicionais, Luís Castro e Almeida concluiu que os benefícios de escala superam as desvantagens, assegurando que o BBVA Portugal beneficia muito mais em termos de eficiência de custos do que se operasse de forma isolada como um operador estritamente nacional.
A Money Conference regressa esta quinta-feira, 8 de outubro, no Hotel Farol, em Cascais, afirmando-se como o maior encontro anual dedicado ao setor financeiro em Portugal. Organizada pelo Diário de Notícias (DN) e Dinheiro Vivo (DV), a conferência deste ano reúne supervisores, líderes da banca, seguros, fundos investimento, tecnologia e empresas num momento em que o sistema financeiro atravessa uma transformação profunda.
