Abanca consolida escala internacional e aponta EuroBic como motor de crescimento em Portugal
O Abanca converteu-se de um banco de matriz regional num operador de escala internacional, alavancando a sua expansão em Portugal e Espanha através de uma forte estratégia de aquisições, sublinhou Pedro Pimenta, presidente da comissão executiva do Abanca Portugal, num dos painéis da Money Conference (evento organizado pelo DN) que juntou os challengers na banca em Portugal.
De acordo com o administrador do banco no país, a instituição iniciou a sua trajetória no noroeste da Península Ibérica — onde mantém uma quota de mercado superior a 40% na Galiza —, mas registou um crescimento expressivo em Madrid e no resto do território espanhol.
Este percurso incluiu a integração de operações de relevo como o Novo Banco e o Banco Caixa Geral em Espanha, além da compra do Banco Caixa Geral ao Crédit Agricole e do Targobank ao Crédit Mutuel, culminando recentemente na aquisição da EuroBic, descrita pelo gestor como a maior integração realizada no grupo e o principal motor de crescimento no mercado português.
Apesar da proximidade geográfica, o líder da comissão executiva do Abanca sublinha que Portugal e Espanha apresentam dinâmicas económicas e culturais distintas que exigem estratégias de negócio autónomas. "Se compararmos obviamente com um país asiático, um português e um espanhol são praticamente iguais. Mas se realmente virmos aqui no dia a dia, Portugal e Espanha, ao serem mercados diferentes, têm que ser abordados de forma diferente", defendeu Pedro Pimenta, reforçando que os gestores, os produtos, os serviços e toda a abordagem ao cliente têm de ter uma matriz estritamente local.
Para assegurar esta ligação de proximidade com o mercado, a instituição financeira estruturou uma equipa operacional composta quase na sua totalidade por profissionais portugueses, sublinhou. Esta filosofia de descentralização reflete-se igualmente na arquitetura tecnológica utilizada pelo banco, desenhada para conciliar a escala ibérica com as especificidades do negócio a nível nacional.
Pedro Pimenta esclareceu que o modelo de governação da entidade assenta num pensamento global ao nível do grupo, partilhando os mesmos valores e diretrizes estratégicas essenciais, mas delegando a sua aplicação concreta a nível local. "O nosso sistema informático é um sistema onde tem um core que é idêntico ao do grupo e depois tem uma aplicação específica para Portugal, como temos a mesma coisa em Genebra ou em Miami, nos Estados Unidos", explicou o executivo, sustentando que a adaptação tecnológica e de oferta aos hábitos dos consumidores é o pilar central para o sucesso da operação do Abanca em território nacional.
A Money Conference regressa esta quinta-feira, 8 de outubro, no Hotel Farol, em Cascais, afirmando-se como o maior encontro anual dedicado ao setor financeiro em Portugal. Organizada pelo Diário de Notícias (DN) e Dinheiro Vivo (DV), a conferência deste ano reúne supervisores, líderes da banca, seguros, fundos investimento, tecnologia e empresas num momento em que o sistema financeiro atravessa uma transformação profunda.
