Nascida no Porto, a leiloeira de Aníbal Pinto de Faria, 29 anos, é um caso de sucesso, numa altura em que o país começa a dar sinais de recuperação. E um desses sinais foi o último leilão da P55, em junho, que totalizou 200 mil euros, e que reuniu obras-primas de artistas nacionais de Cargaleiro, Mário Cesariny, Noronha da Costa e Nadir Afonso. Curiosamente, obras que acabaram por ficar em Portugal.."Ficamos muito felizes que os portugueses não só comecem a interessar-se por arte, mas também que já tenham capacidade financeira para investir nestes bens e perceber o seu valor", diz o CEO da P55..Numa altura em que "não se sabe muito bem como funcionam os bancos e os mercado de capitais sofrem variações", os leilões "surgem como boa alternativa para quem procura financiamento e rentabilidade", frisa Aníbal Pinto de Faria..A crise trouxe esta situação: quem precisa de dinheiro, porque está a reestruturar a sua vida (mudar para uma casa mais pequena e quer desfazer-se de certas peças), quer vender. E quem tem dinheiro para investir num valor seguro, quer comprar..Isto, tanto em Portugal como lá fora, sobretudo depois de os leilões ganharem visibilidade por causa de algumas peças terem sido atingido valores recordes. É o caso de dois painéis de Francis Bacon, que foram vendidos por 142,4 milhões de euros na Christie's, de Nova Iorque, entre outros..A própria história de Aníbal Pinto começou assim: Quando os avós morreram foi preciso fazer partilhas e os pais e os tios não tinham casas com dimensão para acomodar a maioria das peças. "Quando decidimos vender, reparei que este mercado, em Portugal, era muito pouco organizado e funcionava de forma pouco transparente", aponta o CEO da P55..Ler também: Na P55 a arte é para todos os bolsos ."Como mercado de capitais que é, muitas das pessoas envolvidas tinham grande capacidade económica, pelo que a informação era só passada entre elas", diz Aníbal Pinto de Faria. "Não vimos sentido nisso e fizemos com que toda a informação fosse partilhada, exposta e transparente", frisa o mesmo responsável, apontando o método de trabalho das referências Christie's e Sotheby's..Para tal, a P55 apostou na Internet, tanto mais que olhava, desde o início, para o mercado internacional. Com uma loja online, a leiloeira portuguesa trabalha em três línguas com as descrições das peças em leilão disponíveis em português, inglês e francês, o que "é algo novo" num mercado onde os principais player têm entre 30 e 40 anos de atividade..Resultado: cerca de 70% da faturação da P55 vem de fora, concretamente da China, EUA e Dubai, depois de Inglaterra, na Europa, e também Brasil..Questionado sobre que peças a P55 vende mais, o seu responsável responde que tem de tudo um pouco e para todas as bolsas. "Desde as peças de 10 euros até os 50 mil euros ou mais". Aliás, para o final do mês está previsto um leilão, onde se destaca uma caixa anglo-indiana da Rainha Vitória, de Inglaterra, vendida pela Christie's, em 1945, para Portugal. Agora, a base de licitação é 200 mil euros..E entre as peças que mais aparecem para vender estão o mobiliário, afinal Portugal é um dos maiores fabricantes do mundo e o maior da Europa, marfim, prata e pintura. "A pintura portuguesa é muito apreciada no Brasil. fora daí, mais Paula Rego", diz Aníbal Pinto de Faria."Somos uma empresa com um ano e oito meses. No primeiro ano faturámos 1,5 milhões de euros, até ao momento já fizemos 3,5 milhões de euros, e este ano, esperamos fechar com uma faturação entre 4 e 5 milhões de euros", diz o CEO da P55..O mercado de leilões em Portugal vale entre 30 e 40 milhões de euros por ano. "Mas podia valer muito mais, se não estivesse a ser mal trabalhado", remata o CEO da P55.