"TVI não recebe lições de ninguém"

A estação de Queluz reage à abertura de um processo de averiguações pelo regulador da comunicação social, ERC, por causa de uma reportagem sobre o incêndio de Pedrógão Grande

A TVI não compreende porque está a ser alvo de um "processo de averiguações sobre a cobertura jornalística dos acontecimentos em Pedrógão Grande", anunciado pela ERC, entidade que regula a comunicação social. Em causa está uma reportagem transmitida no Jornal das 8, domingo, na qual se vê a imagem de um cadáver na estrada, sobre a qual a ERC diz ter recebido mais de uma centena de queixas. "Porquê a TVI? Porquês só a TVI? O que havia de especial nessa reportagem que motiva a ERC justificar-se com uma sintonia "com a sociedade portuguesa" que ninguém viu"?, questiona a direção de informação da estação de Queluz.

"A Direção de Informação da TVI não recebe lições de ninguém sobre sensibilidades profissionais. Nem pelo regulador, que se deve limitar ao cumprimento do seu dever e da missão que lhe foi fixada pelas leis da República", é escrito num comunicado divulgado esta noite.

A TVI reconhece que num dos locais da reportagem "estava efetivamente um cadáver, estendido há muitas horas e tapado com um lençol branco - a pior das metáforas da incapacidade da assistência civil atender todas as populações que foram implacavelmente atacadas pelas chamas", sublinhado que "esta circunstância confere um evidente relevo informativo, que não compete ao regulador definir".

A Direção de Informação lembra que "há órgãos de comunicação social que decidiram revelar fotos de crianças que morreram nos incêndios. Outras televisões abriram os principais serviços noticiosos mostrando corpos espalhados no chão, enfatizando o gigantesco cemitério em que num ápice se transformou aquela que fica para a nossa memória coletiva conhecida como a estrada da morte". No entanto, salienta, "não têm sido essas as nossas opções territoriais. Conscientemente a TVI tem procurado respeitar a dor de quem sofre, sem a esconder".

A estação lamenta "profundamente a terrível catástrofe" e avisa que "chegará ao momento de fazer as perguntas sobre o que falhou, porque falha sempre, e como é possível falhar nestas proporções. O cumprimento do nosso papel de órgão de comunicação social é tributário dos mais profundos sentimentos que abalam o povo português. Mas também da obrigação de o manter informado, vigilante e exigente - para que não volte mais a acontecer".

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