'Top Gear'. Adeus na Patagónia com episódio polémico

Despedida do trio Clarkson, May e Hammond, de três horas, é exibido esta quinta-feira no Discovery

Estradas em bom estado. Outras quase intransitáveis. Pontes destruídas. Terrenos desnivelados. Lama. Neve. Ossos. Cadáveres de animais. Há de todo o tipo de ingredientes na despedida de Top Gear com o trio de apresentadores que o tornou no formato automóvel mais popular e rentável de sempre. O adeus da 22.ª temporada, a última conduzida por Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond - depois do primeiro ter sido afastado pela BBC por agressão a um colega da produção, e dos dois seguintes o terem acompanhado, por vontade própria - chega esta noite entre nós. O Discovery Channel exibe, de seguida, as duas partes do especial gravado na Patagónia, e que marca o fim do programa como o mundo o conheceu nos últimos 13 anos, com o primeiro episódio exibido às 22.00 e o segundo pelas 23.00.

Ao longo de dois capítulos, de hora e meia de duração cada, Clarkson, May e Hammond vão percorrer mais de 2500 quilómetros na região argentina e uma das mais remotas no mundo, ao volante de três lustrosos carros desportivos, com partida em Bariloche e destino em Ushuaia. Um adeus que começou a ser gravado em setembro do ano passado - uma vez que este especial foi exibido no natal de 2014 no Reino Unido - e que se tornou num dos episódios mais polémicos de Top Gear.

Em outubro, a produção deste especial teve de ser apressada e o regresso dos apresentadores a Inglaterra chegou a ser alguns dias antecipado. Jeremy Clarkson e companhia decidiram abandonar a Argentina depois de vários protestos de populares contra a matrícula de um dos carros que era conduzido no especial, e que tinha referências alusivas às ilhas Falklands. Apesar de negar qualquer associação intencional, a BBC informou, na altura, que o veículo em questão era um Porsche com a matrícula H982 FKL. A guerra entre a Argentina e o Reino Unido pela soberania do arquipélago aconteceu em 1982 e FKL faz pensar em Falklands.

A produção do programa garantiu que foi uma coincidência. "Sugerir que este carro foi escolhido pela sua matrícula, ou que a matrícula foi substituída é completamente mentira", salientou Andy Wilman, um dos produtores executivos. Os protestos, de resto, aconteceram junto ao hotel onde os três apresentadores estavam hospedados, mas o trio terá mesmo chegado a abandonar os carros numa estrada porque estava a ser apedrejado.

Desde que se estreou, em 2002 na BBC - tendo desde então sido exportado para mais de 150 países e visto por uma audiência global estimada em 350 milhões de pessoas - a polémica tem feito parte do ADN de Top Gear. Em maio do ano passado, Clarkson foi o protagonista de um incidente controverso. Desta feita, foi acusado de racismo, após a divulgação de um momento das gravações, que não foi emitido, e no qual o apresentador faz uma rima infantil para escolher entre dois carros e usa o termo pejorativo nigger, levando a petições de demissão.

O mesmo género de indignação surgiu em 2011, num especial na Índia. Clarkson construiu uma casa de banho na traseira de um Jaguar e alegou que seria "perfeito" para turistas porque todos sofrem de diarreia naquele país. Ainda, centenas de queixas chegaram à BBC depois de um episódio na Albânia, no qual, para testar a capacidade dos porta-bagagens dos carros, os apresentadores simularam colocar o corpo de um homem muito obeso, alegadamente assassinado pela Máfia, no seu interior. Já os mexicanos, foram descritos no programa como "preguiçosos", "irresponsáveis" e "flatulentos".

Polémicas à parte, Top Gear continua o seu percurso. A partir do próximo ano, com a 23.ª temporada, o rosto é o do radialista Chris Evans. Clarkson e companhia, de resto, terminaram recentemente as gravações do seu novo formato automóvel, que será exibido no serviço de streaming da Amazon.

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