The Times reedita capa após protestos de leitores

Jornal britânico causou indignação ao não fazer menção do veredicto de Hillsborough, conhecido 27 anos depois da tragédia

O jornal The Times viu-se obrigado a lançar uma segunda edição, com primeira página alterada, devido à contestação dos leitores sobre a falta de referência ao veredicto divulgado nesta semana da tragédia de Hillsborough, na qual 96 pessoas morreram. Além dos leitores, também a secção de desporto do The Times se manifestou contra a decisão editorial, única nos jornais do grupo de Murdoch. Todos os diários britânicos relembraram a tragédia, referindo-se à decisão como "justiça" para as famílias.

O jornal defendeu-se das acusações, referindo que abordou o tema no site e na edição impressa: "O The Times cobriu o caso de Hillsborough em todas as edições digitais durante o dia. Nesta manhã cobrimos extensivamente no formato em papel com quatro páginas, contracapa, cabeçalho e referência às vítimas", avançou fonte oficial da publicação.

Durante 27 anos - naquele que é o processo legal mais longo da história do Reino Unido - as famílias das vítimas lutaram contra os argumentos do polícia de Duckenfield, responsável pela segurança do estádio, que atribuiu a culpa aos adeptos pelo comportamento errático e por hipotética embriaguez.

O caso remonta a 1989, quando milhares de fãs do Liverpool se deslocaram até Hillsborough, casa do Sheffield Wednesday, para disputar a meia-final da Taça de Inglaterra, com o Nottingham Forest. Com os habituais titulares da segurança do estádio suspensos pela polícia, a responsabilidade recaiu sobre David Duckenfield, que passara dez anos sem entrar em Hillsborough, como avança o The Guardian. Os mais de dez mil fãs do Liverpool, amontoados à entrada do estádio, foram entrando num registo caótico, até que a porta C foi aberta, por onde entraram duas mil pessoas de uma vez. A ordem foi dada por Duckenfield, que, segundo o The Guardian, não delegou polícias para evitar que os fãs entrassem pelo túnel. O excesso de pessoas resultou na morte de 96 adeptos.

Em 2012, o primeiro-ministro britânico David Cameron já havia pedido desculpas aos familiares das vítimas, referindo-se a uma dupla injustiça - as falhas de segurança e a atribuição de culpa aos fãs.

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