SIC responde a Isabel dos Santos: diz que não se enreda "em 'tertúlias' nas redes sociais"

Estação de Carnaxide afirma que está preocupada "com a liberdade de informação", no caso da exclusão da SIC Internacional e SIC Notícias da rede angolana de TV por subscrição

A SIC "preocupa-se essencialmente com a liberdade de informação" e prestação "de serviços de qualidade", pelo que não se enreda "em 'tertúlias' nas redes sociais", disse hoje fonte oficial, depois dos comentários da empresária angolana Isabel dos Santos.

A dona da distribuidora angolana de televisão por subscrição Zap escreveu hoje que "a SIC é muito cara" e que a exclusão dos canais do grupo português Impresa é uma decisão comercial.

Fonte oficial da estação de Carnaxide afirmou hoje que "a SIC preocupa-se essencialmente com a liberdade de informação e com a prestação de serviços de qualidade aos seus clientes", pelo que "não vai, por isso mesmo, deixar-se enredar em 'tertúlias' nas redes sociais".

A posição foi hoje assumida por Isabel dos Santos, filha do chefe de Estado angolano, numa publicação que colocou nas redes sociais, onde tem estado ativa há vários dias, e que surge depois de a distribuidora DStv ter tomado a mesma medida, excluindo desde segunda-feira também os canais SIC Internacional África e SIC Notícias da sua grelha, como já tinha feito a Zap, em março.

"A inconfessável ganância comercial do milionário Pinto Balsemão. Em Angola quer encaixar pela SIC um milhão de euros/ano. A comparar com a BBC 33 mil euros/ano ou a Al Jazeera 66 mil euros/ano", escreve Isabel dos Santos.

Sem nunca se referir diretamente às decisões de exclusão da grelha das duas distribuidoras que operam em Angola (Zap e DStv) daqueles dois canais do grupo Impresa, presidido por Francisco Pinto Balsemão, Isabel dos Santos afirma que "a razão é comercial e não política".

"A SIC é muito cara", conclui a empresária, no mesmo texto, escrito em português, inglês e francês.

Desde a meia-noite de segunda-feira que a operadora de televisão por subscrição Multichoice, através da plataforma internacional DStv, deixou de transmitir os canais SIC Notícias e SIC Internacional África em Angola.

Esta decisão é semelhante à tomada anteriormente pela Zap, outra das duas operadoras generalistas em Angola, que em 14 de março interrompeu a difusão dos canais SIC Internacional e SIC Notícias nos mercados de Angola e Moçambique, o que aconteceu depois de o canal português ter divulgado reportagens críticas ao regime de Luanda.

A Multichoice África, que tem a plataforma DStv, fornece serviços de televisão pré-paga de canais digitais múltiplos contendo canais de África, América, China, Índia, Ásia e Europa, por satélite.

Já a Zap, que iniciou a sua atividade no mercado angolano em abril de 2010, é atualmente a maior operadora de TV por satélite em Angola.

A operadora portuguesa NOS detém 30% da Zap, sendo o restante capital detido pela Sociedade de Investimentos e Participações, da empresária angolana Isabel dos Santos.

A maioria do capital da NOS é detido pela ZOPT, 'holding' detida pela Sonae e por Isabel dos Santos.

Os restantes canais do grupo português, SIC Mulher, SIC Radical, SIC Caras e SIC K, continuam a ser transmitidos normalmente em Angola.

Na segunda-feira, a SIC disse ser "totalmente alheia" ao facto de os canais SIC Notícias e SIC Internacional África terem deixado de ser transmitidos pela plataforma DStv em Angola, acrescentando que a transmissão dos dois canais se mantém em Moçambique através da DStv.

Também na África do Sul a DStv continuará a exibir a SIC Internacional África

Angola vive, atualmente, um clima de pré-campanha eleitoral, com o aproximar das eleições gerais de 23 de agosto, às quais já não concorre José Eduardo dos Santos, Presidente da República desde 1979.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG