Reality show coloca inocentes na prisão durante dois meses

Sete voluntários aceitaram infiltrar-se no meio de 500 reclusos numa cadeia norte-americana. Identificar os problemas que existem no sistema prisional é o grande objetivo

Viver atrás das grades durante 60 dias sem ter cometido qualquer crime. Esta é a premissa de 60 Days In - 60 dias dentro, em tradução livre -, reality show do canal A&E que se estreou nos EUA no dia 10 de março. Quatro homens e três mulheres aceitaram infiltrar-se no meio de 500 condenados num estabelecimento prisional situado em Clark County, no estado do Indiana (EUA). E vão estar entregues à sua sorte, uma vez que tanto os reclusos como os polícias ignoram que estão perante inocentes.

O quotidiano destes sete voluntários é acompanhado pelas 300 câmaras que estão instaladas no estabelecimento prisional e que estão ligadas 24 horas por dia. A ideia partiu do xerife Jamey Noel, que no decorrer da sua campanha recebeu vários pedidos de ajuda de pessoas que tinham filhos detidos. "A única maneira de saber o que realmente acontece numa prisão passava por colocar inocentes dentro do sistema para obter informações em primeira mão e de forma imparcial", justificou Jamey Noel.

O objetivo também passou por mostrar aos espectadores o que é que se passa dentro de uma cadeia quando as portas se fecham, principalmente num estabelecimento como o de Clark County, onde "há mais facilidade em obter drogas do que nas ruas" e onde até os guardas estão sob suspeita.

A ideia inicial passava por colocar agentes à paisana dentro do estabelecimento, mas cedo se chegou à conclusão de que não iria resultar. "Estes voluntários têm-nos ajudado a identificar problemas graves dentro do nosso sistema e que os guardas jamais poderiam encontrar", sublinhou o xerife.

Entre os participantes de 60 Days In encontra-se Maryum, filha mais velha do ex-pugilista Muhammad Ali, que se viu obrigada a mudar o nome para não ser reconhecida. Assistente social especializada em gangues, Maryum aceitou o desafio para perceber melhor uma realidade que está relacionada com o seu trabalho.

Entre os participantes encontra-se também um ex-marine, um professor, um jovem cujo irmão está preso ou uma jovem mãe de dois filhos que é casada com um militar. Antes de serem encarcerados, os voluntários tiveram formação e aulas de autodefesa. "É a minha carreira que está em jogo", explicou Noel. "Que Deus não permita que aconteça alguma coisa a estes participantes."

Apesar de não terem a proteção dos guardas prisionais, que desconheciam o que se estava a passar, todos os passos dos voluntários eram acompanhados pela produção do programa e havia até uma senha pré-combinada. A frase "sinto falta de café" e uma toalha na cabeça era o sinal de que necessitavam de ajuda para sair de uma situação potencialmente perigosa.

As conclusões desta experiência não foram animadoras. Os reclusos fazem quase tudo o que querem e os guardas apenas interferem quando alguém está a sofrer uma ameaça física. Não há camas suficientes e o trabalho de reabilitação dos presos deixa a desejar.

Ainda assim, Barbra, uma das voluntárias, fez um balanço positivo. "Durante os 60 dias estive mais aborrecida do que esperava e senti muito a falta da minha família. Mas consegui fazer amizades com várias reclusas, que ajudaram a fazer o tempo passar mais rápido", disse ao The Guardian.

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