"Percebi o erro, mas não havia tempo de recontar tudo", diz Daniel Deusdado

Um número mal transcrito alterou a ordem dos finalistas da 1ª semifinal. RTP está a avaliar novos métodos, diz o diretor de programas

Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP1, percebeu ainda antes do final do programa, olhando para os resultados do televoto, que tinha sido cometido um erro no apuramento das sete canções finalistas do Festival da Canção na semifinal de domingo. Não era a canção de Mallu Magalhães que passava à final, mas sim a de Jorge Palma. "Percebi, mas não havia tempo de recontar tudo", explica, em declarações ao DN, situando os acontecimentos: o anúncio dos finalistas, a celebração e a despedida do programa. A auditoria aos resultados começou logo a seguir. "Olha-se sempre para tudo e desta vez ainda com mais rigor."

O erro aconteceu no apuramentos do televoto. Os resultados das preferências do espectadores convertem-se numa percentagem que, por sua vez, corresponde a pontos - 12, 10, 8, e, partir daqui, 7, 5, 4, 3, 2. "A pessoa que tem essa tarefa escreve num papel e dá um aos apresentadores e outro vai para o grafismo", explica Daniel Deusdado.

Em casa, ouvimos Jorge Gabriel atribuir a pontuação à canção Eu Te Amo, da compositora Mallu Magalhães. "Sete pontos para a canção número 3, Beatriz Pessoa". E é também esse número que vemos surgir no gráfico. "Como é o momento final, não conseguimos perceber imediatamente tudo", justifica Daniel Deusdado.

A auditoria confirmou que tinha sido canção número 13 (e não 3), A Mesma Canção, do compositor Paulo Praça, interpretada por Maria Amaral, que obteve os 7 pontos da votação do público, como a RTP esclareceu ontem, cerca das 13.00, em comunicado.

"No decurso do processo de auditoria interna, que ocorreu após a emissão do programa em direto, foi detetado que a votação final divulgada estava incorreta. Identificado o erro na transcrição dos pontos do televoto (votos do público), a RTP atuou prontamente, no sentido de esclarecer de forma transparente o sucedido, junto dos compositores e intérpretes envolvidos", lê-se.

Daniel Deusdado explica ao DN que logo após o programa falaram com Mallu Magalhães e Beatriz Pessoa. "Chamámos os elementos da canção nº3, reunimos com eles, tiveram um fair play absoluto". O erro na contagem dos pontos resultava numa alteração da composição do lote de sete finalistas do Festival. A canção interpretada por Beatriz Pessoa deixou de ter os 11 pontos com que terminou a semifinal (4 do júri e 7 do televoto), mas apenas 4, valor insuficiente para chegar aos semifinalistas.

"Apurada a votação correta, como o regulamento determina que em caso de empate prevalece a classificação do júri, ficaram apuradas para a final do Festival da Canção de Guimarães as canções nº 6 e nº 2, respetivamente no 6º e 7º lugares", diz o texto. Simplificando: A canção de Jorge Palma, Sem Medo, que tinha terminado com 7 pontos (2 do júri e 5 do televoto) empatou com a composição de Benjamim, Zero a Zero, e o tema de José Cid. O desempate foi feito pelo júri.

"Sendo este infeliz incidente da sua inteira responsabilidade, a RTP apresentou de imediato um pedido de desculpas aos compositores e intérpretes envolvidos. Este mesmo pedido de desculpas é igualmente dirigido aos telespectadores da RTP", termina a televisão pública.

O que muda na próxima semana?

Com a segunda semifinal no horizonte (é no domingo), impõe-se saber o que muda. "Essa avaliação já está a ser feita. Temos de arranjar mecanismos de redundância. Estamos a poucas horas do caso, mas haverá um novo método", adianta Deusdado.

Nas contas oficiais do programa nas redes sociais sobressaiu uma pergunta: está a RTP preparada para um evento como a Eurovisão, a 12 de maio, em Lisboa? "Toda a organização está balizada pelo que é referência neste sector", começa por esclarecer Daniel Deusdado. E acrescenta: "O Festival da Canção não é a Eurovisão, não tem os meios nem o orçamento da Eurovisão. Um erro não pode pôr em causa toda a gente e tudo. Não tira o mérito e profissionalismo de toda a equipa". O momento foi "muito duro", admite, e completa: "Jamais não tornaríamos público um erro. Procuramos a verdade e a transparência. Mas vamos tentar não errar."

Sete finalistas

A noite de domingo deu a conhecer os primeiros sete intérpretes (e canções) com lugar garantido no alinhado de 4 de março no Multiusos de Guimarães: Peu Madureira, com uma canção de Diogo Clemente, foi o preferido do público; Janeiro, o compositor e intérprete indicado por Salvador Sobral (que esteve ao seu lado) mereceu a nota máxima do júri; Catarina Miranda, com uma composição de Júlio Resende; Anabela, vencedora do festival a cantar outro vencedor, Fernando Tordo; Joana Barra Vaz interpretando Francisca Cortesão; Joana Espadinha com Zero a Zero, de Benjamim, e Rui David.

Na próxima semifinal vão a votos novas 13 canções (cujos trechos de 45 segundos foram ontem dvulgados)

- Mensageira, de Aline Frazão, interpretada por Susana Travassos

- O Voo das Cegonhas, Armando Teixeira, com interpretação de Lili

- All Over Again, de Bruno Cardoso, com Sequin

- Sobre Nós, de Capicua, interpretada por Tamin

- P'ra Lá do Rio, de Daniela Onís

- Canção do Fim, Diogo Piçarra

- Amor Veloz, de Francisco Rebelo , interpretada por David Pessoa

- O Jardim, de Isaura, cantada por Cláudia Pascoal

- Anda Daí, de João Afonso, cantada por Rita Ruivo

- Arco-íris (Assim Cantou Zaratustra), de Miguel Ângelo, por Dora Fidalgo

- Patati Patata, Paulo Flores, interpretada por Minnie e Rhayra

- ,Sunset, de Peter Serrado

- Bandeira Azul, de Tito Paris, cantada por Maria Inês Paris

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