O simulador de automóveis da PlayStation que lhe pode dar uma carta FIA

No novo título de Grand Turismo para a PS4, menos é mais. Foi depurado. Não há tantos carros ou pistas quanto era habitual, mas o simulador está tão real que passa mesmo para a realidade. E até pisca o olho a Portugal

"Conduzir é para todos". É este o mote de lançamento de GT Sport, a mais recente edição do simulador de automóveis da PlayStation que agora ganha, finalmente, uma versão para a PlayStation 4.

Finalmente porque este GT demorou para chegar. A nova entrada na série Gran Turismo, que comemora este ano o 20.º aniversário, foi anunciada em 2015 e chegou a ter lançamento previsto para o fim do ano passado, mas os planos foram adiados quase um ano para polir alguns pormenores.

Terá valido a pena a espera? Basta um relance para concluir que sim. GT Sport aproveita em pleno as capacidades gráficas da PlayStation 4 (e a imagem 4k da versão Pro). Os automóveis nunca foram tão realistas, o cenário prolonga-se até ao infinito, o detalhe do asfalto, das árvores, da publicidade nas bermas das pistas é de um realismo incrível.

Era expectável que assim fosse. Pois, se até na PS3 o Grand Turismo 6 conseguia reproduzir centenas de automóveis de forma fiel e criar pistas urbanas (como Londres) ultra detalhadas. Mas GT Sport quer ir mais longe, tanto a nível gráfico como relativamente à simulação propriamente dita.

É este último ponto que faz com que, nesta nova versão da série, haja menos modelos de automóveis disponíveis do que no GT6 (são 177, eram 1197) e menos pistas (não há traçados pelo centro de Londres, Roma ou Madrid, por exemplo). É que isso permitiu aos programadores da Polyphony Digital focarem-se mais no que aqui verdadeiramente interessa: criar um simulador de corridas de automóveis quase perfeito.

(Isto excluindo a Fórmula 1, cujos direitos de adaptação para videojogos estão com a Codemasters, que com o novo F1 2017 criou um incrível simulador do "grande circo".)

Em GT Sport, o jogador é desde o primeiro minuto convidado a "crescer" como condutor, a aprender, a aperfeiçoar-se e, por fim, a tornar-se um verdadeiro piloto.

A mecânica inicial é semelhante à dos outros títulos da série. Sim, podemos participar logo em corridas contra pilotos virtuais, mas o mais interessante é abrir o modo Campanha e começar por tirar a carta.

Para isso, há que passar por uma série de testes que nos ensinam a arrancar, travar, curvar, etc., perdendo o menor tempo possível. Só depois disto poderemos começar o jogo propriamente dito.

Este -- e esta é a grande novidade de GT Sport -- é totalmente online. Não jogamos contra o computador, mas sim contra adversários de carne e osso. O que torna a simulação muito mais realista.

Na criação das corridas, o sistema junta os jogadores de acordo com a sua experiência e habilidade (baseada numa classificação numérica que tem em conta vários fatores), pelo que para progredir o jogador precisa fazer por melhorar a sua performance.

Ao mesmo tempo, introduz-se um novo fator: o bom comportamento. A forma como nos portamos em pista, o fair play, é algo que também é contabilizado e importante para a definição do perfil do jogador.

Nesta lógica de "fazer" de cada um de nós um piloto -- "Conduzir é para todos" -- existe ainda uma área onde podemos treinar, um a um, os vários setores das 19 pistas disponíveis -- seis reais, incluindo Nürburgring (Alemanha) e Brands Hatch (Reino Unido), e 11 criadas para o jogo. E é fácil perdermos horas a tentar retirar algumas décimas de segundo a manobrar entre algumas curvas.

Tudo isto não significa, no entanto, que GT Sport seja "apenas" um simulador daqueles que só falta cheirar a óleo. Tem alguns aspetos mais "fúteis", mas extremamente satisfatórios, como o de podermos "fotografar" os nossos carros preferidos em ambientes em redor do mundo -- e, claro, partilhar as fotos nas redes sociais.

É aqui que surge Portugal neste GT. Infelizmente, nem o autódromo do Estoril ou do Algarve constam na lista de pistas, mas há várias cidaddes, como Lisboa ou o Porto, onde podemos "colocar" os nossos carros para tirar fotografias. E as imagens são dignas de se ver.

Este é sem dúvida o mais "profissional" de todos os GT. De tal forma que a Sony e a Polyphony Digital entraram em parceria com a FIA para criar campeonatos online ratificados por este organismo máximo da competição automóvel. Serão dois por ano e os vencedores serão galardoados numa cerimónia oficial em Paris.

Além disso, os pilotos da simulação com um nível "profissional" terão mesmo acesso a uma carta FIA oficial, que lhes abrirá o acesso a corridas -- tal como acontece com os pilotos da vida real.

Este é também o primeiro simulador de automóveis da PlayStation a incluir um modo de realidade virtual, para usar com os óculos PlayStation VR (faremos uma análise a este modo no fim da semana).

Tudo somado, o GT Sport é, atualmente, o melhor do género que a PS4 tem neste momento para oferecer (o referido F1 2017 estará ao mesmo nível, mas o seu foco é exclusivamente a Fórmula 1, pelo que não faz sentido comparar). Podemos apontar-lhe como defeito o facto de ter menos pistas em cenários espetaculares ou haver menos carros, mas para quem ama desportos automóveis, este é um preço baixo a pagar por todo o realismo que o programa consegue.

O mais correto será olhar para este novo título da série GT como um daqueles automóveis transformados que as grandes marcas fazem: pegam num modelo de série, retiram-lhe tudo o que faça peso -- tapetes, ar condicionado, rádio -- aumentam a potência, reforçam chassis e suspensão e vendem-no por muito mais caro do que o carro com o equipamento todo.

Com a diferença de que o preço aqui é o normal para um jogo deste género (entre 60 e 70 euros, consoante a edição). Mas o prazer de condução assemelha-se (mesmo muito) ao que se pode retirar de um daqueles carros desportivos.

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