O "nerd" que se transformou no pior pesadelo de Hollywood

Harvey Levin é o fundador do site TMZ, a "bíblia" do showbiz norte-americano a que são atribuídos os grandes exclusivos do mundo das celebridades. Ex-advogado, não esconde que o seu modelo de negócio passa por paparazzi e fontes pagas

25 de junho de 2009. "Michael Jackson morreu". A notícia foi publicada às 17.20, cerca de três horas depois de declarada a morte (às 14.26) do rei da pop, e viria a confirmar o que já se sabia: Hollywood chega quase sempre em primeira mão ao site TMZ. Tinha sido assim com a detenção de Mel Gibson, em 2006, e voltaria a acontecer depois em várias ocasiões. A mais recente: o divórcio de Angelina Jolie e Brad Pitt.

Por detrás desta máquina de fabricar exclusivos está Harvey Levin. Tem 66 anos, nasceu em Los Angeles como um "judeu nerd", cita o Buzzfeed, e não se pode definir apenas como fundador (em 2005 com Jim Paratore) e diretor do site daquelas celebridades. Levin tem no seu currículo a apresentação e produção em TV (venceu um prémio Emmy com The People"s Court) e, mais importante do que qualquer outra atividade, a carreira de advogado.

Terá sido a sua experiência em tribunais da Califórnia entre 1975 e 1996, somada aos anos em que lecionou advocacia em universidades nos EUA, aos conselhos legais que deu em programas de rádio, às colunas de opinião no Los Angeles Times e na Time e ao acompanhamento que fez em televisão de casos de justiça - como o julgamento de O.J. Simpson para a KCBS-TV - que lhe deram visibilidade. E também a alcunha de Doutor Lei.

O facto de se ter movido nos meandros do sistema judicial norte-americano permite-lhe ter acesso a informação privilegiada. Foi o seu site que deu a conhecer o divórcio de Banderas e Melanie Griffith, a fotografia de Rihanna agredida por Chris Brown ou a morte da atriz Brittany Murphy.

"É preciso reconhecer que o TMZ escarafuncha nos baldes de lixo dos famosos como se estivesse a mexer em papéis do Pentágono. Parabéns, Harvey. Para o bem, e principalmente para o mal, agora o mundo jornalístico é teu", escrevia o crítico Brian Lowry, da revista Variety.

Os métodos utilizados pelo mentor da plataforma online nunca foram propriamente um segredo. Quando foi acusado de conseguir histórias apenas por recorrer a paparazzi que praticamente vivem à porta das casas das figuras públicas, não negou que o fazia, como nunca negou que paga às suas fontes. "Não podem ser só entrevistas, encontros com a imprensa e tapetes vermelhos. Isso soaria a falso", disse à Time.

Contou Harvey Levin que no início deste ano se assumiu homossexual e assim evitou que a sua vida privada fosse explorada na concorrência, que mesmo assim recusa "muitas histórias". "Todos temos princípios", justificou, dando como exemplo um vídeo de Justin Bieber que não publicou, em 2009, por o cantor ter apenas 15 anos.

O título do seu site não podia ser mais claro na definição dos seus objetivos. É que TMZ, propriedade da Time Warner, é a sigla de thirty mile zone, a "zona de 30 milhas" (cerca de 50 quilómetros) conhecida por ser o pulmão da indústria de Hollywood. O TMZ.com é o seu espelho.

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