O assalto ao Santa Maria em 1961

Capitão Henrique Galvão desviou paquete para provocar golpe político-militar em Portugal. Falhou, mas expôs o regime salazarista aos olhos do mundo

A primeira página do DN de 24 de janeiro de 1961 falava de "Um ato de pirataria no mar das Caraíbas". E descrevia como dois dias antes "um bando de indivíduos de várias nacionalidades com as bagagens cheias de munições apoderou-se do paquete Santa Maria". O líder do assalto foi o capitão Henrique Galvão, que pretendia com o desvio do navio provocar um golpe político-militar em Portugal. De repente, o mundo olhava para o pequeno Portugal, uma ditadura fascista senhora de um vasto império colonial, e essa propaganda negativa para o regime foi no final o único êxito de Galvão, que se renderia no Brasil, entregando o paquete e acabando por nunca regressar à pátria, pois morreu em 1970. O navio tinha partido de Curaçao, nas Antilhas holandesas, com destino a Miami, cheio de americanos a bordo, o que garantiu a cobertura jornalística. No assalto foi morto o 3.º piloto e feridos outros membros da tripulação. O grupo de Galvão era constituído sobretudo por portugueses e espanhóis, que lutavam para derrubar Oliveira Salazar e Francisco Franco.

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