'Selfies' no Memorial do Holocausto? Artista critica comportamentos e fotos

Shapira, um artista israelita que vive em Berlim, combina "<em>selfies</em> do Memorial do Holocausto em Berlim com imagens dos campos de extermínio nazi"
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Dois jovens a saltar sobre os blocos de cimentos do Memorial do Holocausto em Berlim. A fotografia retirada das redes sociais é sobreposta a outra imagem, dos campos de concentração nazis. O objetivo é que a combinação das duas choque e leve a pensar sobre o Holocausto e sobre formas apropriadas de assinalar o seu legado, explica o autor deste projeto chamado "Yolocaust".

A ideia é de Shahak Shapira, um artista israelita que vive em Berlim e que quer explorar "a nossa cultura de comemoração ao combinar selfies do Memorial do Holocausto em Berlim com imagens dos campos de extermínio nazi" , como diz no site - o nome "Yolocaust" é uma mistura da palavra Holocausto com a expressão YOLO (o acrónimo do lema You Only Live Once , ou seja, só se vive uma vez).

Shapira dedicou o trabalho aos seus "neonazis favoritos" e este surge numa altura em que um político dos populistas da Alternativa para a Alemanha (AfD), Björn Höcke, se queixou de que os alemães são "o único povo no mundo que plantou um monumento de vergonha no coração da capital".

Para o autor, "o papel e significado exato do monumento são controversos". Aliás, o próprio arquiteto que desenhou o memorial, o norte-americano Peter Eisenman, disse no ano da inauguração que não considera que aquele seja um local sagrado.

Cerca de dez mil pessoas visitam o Memorial aos Judeus Mortos da Europa todos os dias, lembra Shapira, e "muitas delas tiram fotografias parvas, saltam, andam de skate ou de bicicleta nos 2 711 blocos de cimento" da estrutura. O artista israelita não esconde que considera alguns dos comportamentos das fotografias que recolheu em redes sociais como o Facebook, Instagram ou Tinder desrespeitosos. Os comentários, hashtags e "Gostos", que também foram incluídos, mostram que algumas vezes era essa a intenção.

Noutras vezes não é esse o caso e Shapira contou ao jornal Guardian que já recebeu um pedido para retirar um foto do site - as imagens foram recolhidas nas redes sociais durante um ano e usadas sem autorização, mas o artistas deixa um endereço de e-mail no site para quem quiser pedir que a foto seja retirada. "Ele não estava zangado, compreendeu o que quero fazer com o projeto."

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