"Montanha-russa emocional" no regresso de Katherine Heigl à TV

Atriz norte-americana volta ao pequeno ecrã como a protagonista da nova série "Doubt". Ao DN, levanta a ponta do véu sobre o novo projeto e a sua personagem.

Uma advogada de sucesso prepara-se para defender em tribunal um pediatra altruísta, repentinamente acusado de ter assassinado a sua ex-namorada, há 24 anos. Pelo caminho, Sadie Ellis começa a apaixonar-se pelo seu cliente. É este o ponto de partida para Doubt, a nova série que mistura drama e comédia sobre o mundo da advocacia e da justiça, que se estreou esta semana nos EUA - em Portugal, só chega no início de abril à Fox Life - e que marca o grande regresso à ficção televisiva de Katherine Heigl.

Curiosamente, apesar do nome da série, a atriz norte-americana de 38 anos conta ao DN, em entrevista exclusiva via telefone, que não teve dúvidas quanto à sua participação quando leu o guião do projeto, do qual é protagonista. "A premissa desta série foi uma das melhores que já li num guião até hoje. Fiquei entusiasmada por fazer parte deste produto e ajudar a contar esta história. Além disso, admiro, respeito e adoro a minha personagem. Adoro interpretar mulheres inteligentes, talentosas e ambiciosas. Quem é que não gosta? E como se não bastasse, ainda é encantadora, divertida, sexy e complexa. É, definitivamente, um sonho para qualquer atriz", conta Katherine Heigl, que ficou mundialmente conhecida com a sua participação em Anatomia de Grey, na qual deu vida a Izzie Stevens entre 2005 e 2010.

Tony Phelan e Joan Rater, os criadores de Doubt, foram durante vários anos produtores do drama médico de sucesso e estendem, agora, a sua parceria com Heigl neste novo trabalho. Ao DN, Phelan admite que existem já várias séries na televisão sobre justiça e o mundo dos advogados, mas explica que esta é diferente. "Desde o 11 de Setembro que têm sido criadas várias tramas focadas em advogados de acusação, em colocar pessoas na prisão e em apanhar os chamados "maus da fita". O outro lado desta dinâmica estava em falta. Além disso, ao lermos os jornais e vermos o que se passa no mundo, existe esta ideia de que o sistema criminal e judicial norte-americano tem sérias falhas, na sua forma atual de funcionamento. E por isso quisemos contar a história destes advogados de defesa que ficam ao lado do seu cliente, mesmo que o governo os queira deitar abaixo, e oferecem uma defesa vigorosa, algo a que todos os cidadãos norte-americanos têm direito", conta o responsável.

Katherine Heigl acrescenta que o limbo entre a vida pessoal e profissional, no qual vive constantemente a sua personagem, Sadie Ellis, é um incentivo para qualquer ator. "Tem sido uma interessante e sumarenta montanha-russa emocional. A Sadie passa por muita coisa nesta primeira temporada e é satisfatório para uma atriz jogar com todos esses elementos. Ela está a lidar emocionalmente com todas estas situações enquanto tenta manter o seu profissionalismo e vencer o caso", revela Heigl, que teve a ajuda de advogados profissionais para construir o seu papel. "Foi muito interessante falar com eles sobre coisas tão simples como a forma de se dirigir a um júri, ou os limites da sua performance em tribunal. Há muito para aprender, na verdade", afirma a atriz ao DN.

O criador, Tony Phelan, acrescenta que o facto de Katherine Heigl interpretar uma personagem que se apaixona por um cliente, tendo acontecido o mesmo em Anatomia de Grey [em que foi produtor], com um paciente, é uma coincidência. "Nem tinha pensado nisso. Acho que o público vai gostar desse paralelismo, mas a Katherine é uma atriz que assenta o seu desempenho em tantos pilares que essa coincidência será vista de forma completamente diferente", conta o norte-americano. Heigl atira: "Dá-me vontade de rir não ter pensado nessa ligação antes. Mas sim, há alguma semelhança. Aquela ideia de um amor proibido foi extremamente divertida de interpretar em Anatomia de Grey, da mesma forma que o é agora em Doubt", adianta a atriz.

Com uma carreira no cinema e na televisão que começou há mais de 20 anos, e tendo interpretado várias personagens em comédias românticas especialmente, Heigl revela que existem, de resto, várias semelhanças entre si e a protagonista de Doubt. "Ela talvez seja mais ambiciosa do que eu, mas somos semelhantes no sentido em que ela tem compaixão, preocupa-se muito com a humanidade e acredita no lado bom das pessoas. E acho que é divertida e um pouco OCD [vítima de distúrbio obsessivo-compulsivo], como eu", conta, soltando várias gargalhadas.

Nos últimos sete anos, desde que abandonou Anatomia de Grey, Katherine Heigl tem-se concentrado na sétima arte. No pequeno ecrã, participou apenas numa temporada da série de espionagem State of Affairs, em 2014, na qual conciliou o papel de atriz com o de produtora. Uma experiência que quer repetir no futuro. "Foi a minha estreia como produtora ativa. Já me tinham dado esse título noutros projetos mas era mais algo vindo de vaidade do que eu propriamente fazer alguma coisa na verdade. Foi muito satisfatório e uma maravilhosa evolução na minha carreira. Estou na representação há muito tempo, por isso ter tido esta oportunidade do outro lado da câmara foi extraordinário. Adorei todos os segundos", remata Heigl.

Em Doubt, a atriz contracena com atores como Steven Pasquale, Dulé Hill, Dreama Walker, Kobi Libii, Elliott Gould e Laverne Cox. Esta última atriz (que também podemos ver em Orange Is the New Black, da Netflix), de resto, acaba de fazer história na televisão norte-americana ao tornar-se na primeira transgénero com presença fixa no elenco principal de uma série exibida num canal em sinal aberto nos EUA (neste caso, a CBS). Os crimes de ódio em torno de um transgénero será, aliás, um dos casos analisados na primeira temporada de Doubt, no qual estará envolvida a advogada interpretada por Laverne Cox.

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