Jornalistas turcos condenados a prisão por divulgarem segredos de Estado

Can Dundar e Erdem Gul foram condenados a cinco anos de cadeia. Estavam acusados de espionagem pela procuradoria

Os jornalistas turcos, Can Dundar e Erdem Gul, foram hoje condenados a cinco anos de prisão por "divulgação de segredos de Estado", após um polémico julgamento acompanhado por numerosas figuras públicas na Turquia e Europa.

Dundar, diretor do diário Cumhuriyet, foi condenado a cinco anos e dez meses, e Gul, chefe de redação da delegação de Ancara do mesmo jornal, a cinco anos.

A procuradoria turca, que também os acusava de "espionagem", tinha pedido 25 e 10 anos, respetivamente, por uma reportagem publicada em maio de 2015 no Cumhuriyet que incluía imagens do que foi descrito como um envio de armas para grupos 'jihadistas' na Síria junto à fronteira comum turco-síria, numa operação organizada pelos serviços secretos turcos.

Os dois acusados não vão ser colocados de imediato sob detenção, ficando a aguardar a decisão do Tribunal de recurso sobre o processo.

Algumas horas antes deste veredito, aguardado com muita expetativa, um homem disparou na direção de Dundar frente às câmaras de televisão no exterior do Palácio de justiça, ferindo ligeiramente um jornalista, antes de ser rapidamente dominado e detido.

"Apesar de todas as tentativas de nos reduzirem ao silêncio, continuaremos a exercer a nossa profissão de jornalista. No nosso país somos obrigados a preservar a coragem", disse Dundar em declarações aos media após o anúncio do veredito.

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