Sérgio Figueiredo: "Tivemos concorrência na compra da Copa América"

O diretor de Informação da TVI respondeu a críticas da concorrência na aposta no desporto

A TVI24 comemora esta sexta-feira, 26 de fevereiro, sete anos de existência. Vice-líder nas audiências entre os canais informativos em 2015, tem mantido a posição no novo ano, registando até agora 1,8% de quota de mercado, menos 0,4% que a SIC Notícias e mais 1% que a RTP3. O diretor de Informação da TVI, Sérgio Figueiredo mostra-se orgulhoso com o percurso do canal que conseguiu, pela primeira vez desde o nascimento, ultrapassar a estação de informação de Carnaxide durante dois meses, em 2015, e também no período de prime time em 125 dias (horário, entre as 20.00 e as 00.00, em que mais pessoas estão a ver a televisão). O ex-gestor da EDP recusa atribuir os bons resultados apenas à aposta no desporto.

"Muitas pessoas acham e tentam fazer passar a ideia de que é por causa do futebol e da transmissão dos eventos desportivos que temos tido sucesso. É verdade que são muito importantes para as audiências, têm essas particularidades de marketing e notoriedade. No entanto, as pessoas ficam para ver os nossos outros conteúdos. Temos vários programas que ultrapassaram a fasquia dos 100 mil espetadores como o Política Mesmo, Olhos Nos Olhos, 21ª Hora...", sublinha o responsável, que a par dos novos programas de Fátima Lopes e de José Eduardo Moniz previstos para estrear no primeiro semestre, promete continuar a apostar no desporto e na promoção de outras modalidades.

"Vamos continuar a arriscar e a apostar em eventos desportivos que tenham pouca visibilidade e fazer deles grandes formatos. Fizemos isso, por exemplo, com a Copa América, uma competição que passava ao lado da maioria das pessoas, em Portugal. Este ano já tivemos concorrência na compra da Copa América. Foram os tais que nos acusam de transmitir os jogos em direto", revela Sérgio Figueiredo à nossa publicação.

Percurso do canal e a disputa com a nova concorrência

Sérgio Figueiredo identifica quatro fases distintas na evolução da TVI24 e estabelece a meta para os próximos tempos: atingir a liderança. "A primeira fase da estação foi a nascença, a segunda foi quando ganhou o direito a existir no tempo do José Alberto Carvalho, porque era um canal que não estava a conseguir audiências, que não o tornavam viável a prazo e ele conseguiu colocar a TVI24 acima da linha de vida. A terceira fase foi a de ambicionar a liderança, já no período em que assumi a direção de informação. E agora estamos na quarta fase, em que temos como principal objetivo ser os primeiros, mas com a presença de uma maior concorrência", afirmou.

O canal de televisão do jornal Correio da Manhã estava disponível, em exclusivo, na operadora Meo até 14 de janeiro, data em que passou também a fazer parte da grelha da operadora Nos, garantindo a possibilidade de chegar a mais espectadores. Para o responsável, a CMTV é referida como um canal informativo mas não é, porque está registada como generalista e veio introduzir uma agressividade na informação que garante não passar despercebida. Na sua perspetiva afirma que até pode ser benéfico para diferenciar o tipo de informação que a TVI faz. "Não podemos perder a nossa identidade porque é desafiante fazermos um equilíbrio entre audiências e a decência. Esse equilíbrio é feito sem termos qualquer dúvida que as televisões não servem para fazer julgamentos na praça pública e condenarem, hoje, como assassino uma pessoa e dois dias depois a mulher dessa pessoa", destaca.

Sérgio Figueiredo utiliza as palavras "orgulho" e "motivação" para representar o espírito dos profissionais do canal de informação de Queluz de Baixo, que está sustentado pelos números que têm vindo a atingir. "Estamos em segundo lugar com entusiasmo mas, sobretudo, com muito empenho e desassossego porque nunca foi tão difícil e agressiva a concorrência no cabo, o que nos obriga a não descansar e a ser diferente todos os dias. Quem para, morre. Este novo ano não começou mal. Em janeiro, o canal cresceu 48% e em fevereiro, até agora, está a crescer 55%", frisou o responsável.

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