Jorge Wemans está "atónito" e "chocado" com 'chumbo' ao provedor do Ouvinte

Provedor do telespetador da RTP apontou que o Conselho de Opinião não divulgou os fundamentos do 'chumbo'

O provedor do telespetador da RTP, Jorge Wemans, afirmou hoje estar "atónito e profundamente chocado" com o 'chumbo' do nome do jornalista João Paulo Guerra para provedor do ouvinte pelo Conselho de Opinião, na passada sexta-feira.

"Estou atónito e profundamente chocado com a recusa do Conselho de Opinião da RTP de aceitar João Paulo Guerra como provedor do ouvinte. Não vislumbro qualquer fundamento para esta decisão", afirmou Jorge Wemans, num comunicado.

Apontou ainda que, "mais uma vez", o Conselho de Opinião não divulgou os fundamentos deste 'chumbo'.

"Infelizmente não é a primeira vez que este órgão surpreende tudo e todos, não reconhecendo mérito profissional, credibilidade e integridade pessoal a pessoas indigitadas por quem de direito para exercer o cargo de provedor", acrescentou.

"Recordo que aqueles são os únicos critérios que a lei coloca à disposição do Conselho de Opinião para se pronunciar sobre os provedores indigitados", salientou.

O Conselho de Opinião da RTP 'chumbou' na sexta-feira o nome do jornalista João Paulo Guerra para provedor do ouvinte da RTP, que tinha sido indigitado pela administração da empresa.

Este é o segundo nome 'chumbado' pelo Conselho de Opinião da RTP, depois de no final de novembro ter votado contra o nome de Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa para o mesmo cargo.

O parecer do Conselho de Opinião é vinculativo.

"Iniciei com todo o entusiasmo e dedicação as funções de provedor do telespetador no início deste mês, mas a situação criada pelo Conselho de Opinião questiona as condições necessárias para o exercício desta função", disse Jorge Wemans.

Por isso, "aguardo os esclarecimentos que serão tornados públicos e reservo-me o direito de agir em função deles", concluiu.

O mandato da provedora do ouvinte da RTP, Paula Cordeiro, terminou no início do verão passado.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?