III Congresso da oposição democrática em 1973

Aveiro recebeu os opositores ao regime. Reuniram-se no cineteatro Avenida, mas foi na rua que se sentiu o peso da repressão, quando a polícia carregou sobre manifestantes pacíficos

Era uma romagem pacífica ao túmulo de Mário Sacramento, médico e escritor comunista que morrera em 1969, mas a intervenção da polícia de choque acabou por causar vários feridos e deixar até hoje em Aveiro a memória heroica do III Congresso da Oposição Democrática. No relato dos acontecimentos, o DN de 9 de abril de 1973 opta por um título cinzento: "Terminou em Aveiro o Congresso da Oposição Democrática - As forças da ordem dispersaram uma manifestação não autorizada". As esperanças da chamada Primavera Marcelista já tinham desaparecido e faltava um ano para o regime, que já fora de Oliveira Salazar e então era de Marcelo Caetano, ser derrubado pelos militares. Passados 40 anos, o DN escreveu um artigo sobre o III Congresso da Oposição Democrática, citando o ex-maoista Pacheco Pereira que conta como dentro do Cineteatro Avenida também tinha sido quente o ambiente entre as várias correntes antirregime. Chegou a andar à cadeirada e ao murro com Lino de Carvalho, militante comunista.

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