Motorpress fecha e deixa quase 60 trabalhadores no desemprego

Fonte adiante que está "um salário em atraso para todos os trabalhadores"

O grupo de revistas Motorpress Lisboa, que detém seis publicações regulares, incluindo a Autohoje e a Pais&Filhos, fechou esta sexta-feira e os quase 60 trabalhadores ficaram no desemprego.

Um trabalhador do grupo, que pediu para não ser identificado, confirmou hoje à Lusa que "os administradores da insolvência decidiram, no final da semana passada, dispensar a maior parte dos trabalhadores e ficar apenas com uma pequena parte para fechar a edição da revista [Autohoje] que saiu hoje".

A mesma fonte disse que "toda a força de trabalho da empresa está no desemprego", indicando que em causa estão "58 pessoas, das quais 22 são jornalistas" e os restantes estavam nos departamentos de paginação gráfica, publicidade, informática, multimédia e administrativo.

Questionado sobre se ficaram salários por pagar na Motorpress, que entrou em processo de liquidação em setembro, este trabalhador adiantou que está "um salário em atraso para todos os trabalhadores" e que também "não foram pagas quaisquer indemnizações".

A edição de hoje da revista Autohoje foi então a última edição, desconhecendo-se o que vai acontecer ao título, tendo este funcionário adiantado que, "para já, não há indicação de que seja comprado por alguém".

Quanto às outras revistas do grupo, nomeadamente a Pais&Filhos e a Motociclismo, "os últimos números saíram no final do mês passado" e o último dia de trabalhado dos funcionários alocados a estas publicações foi "na sexta-feira da semana passada", segundo o mesmo trabalhador.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.