15 anos de 'American Idol'. O fim de uma era ou o nascer de outra?

O "pai" de todos os 'talent shows' transmite esta noite a sua última gala, ao fim de quinze temporadas

Maio de 2002. Kelly Clarkson entrou na sala de audições do American Idol e deixou os jurados Simon Cowell, Paula Abdul e Randy Jackson rendidos à sua interpretação da música At Last, de Etta James. Meses depois, tornava-se a primeira vencedora do programa. Esta noite, ao fim de quinze temporadas, assinala-se o fim de uma era: o último episódio de American Idol.

A derradeira gala do "pai dos talent shows" - como muitos o descrevem - será transmitida em direto a partir de Los Angeles e, para além do anfitrião de sempre, Ryan Seacrest, do atual júri (Jennifer Lopez, Keith Urban e Harry Connick Jr.) e do top três, serão recebidos finalistas de temporadas anteriores e antigos jurados.

"Sinto sobretudo orgulho. Têm sido 15 anos fantásticos. Deixámos a nossa marca. Fizemos história. Excedemos todas as expetativas", reconhece Simon Fuller, criador do Idol, numa entrevista ao The Hollywood Reporter. O grande mérito do formato, sublinha, é ter reaproximado as famílias em frente da televisão. "A música une as pessoas. Quer tenhas cinco, 55 ou 85 anos, os gostos musicais estão mais alinhados que nunca".

O programa fez emergir talentos incontornáveis da música pop, country e rock, como Kelly Clarkson, Adam Lambert, Carrie Underwood ou Jennifer Hudson. Sendo pioneiro no mundo dos talent shows, foi também o grande impulsionador de formatos como X-Factor, The Voice ou Got Talent. Mas não só."O American Idol trouxe a música de volta à televisão. Se não surgisse o Idol, não teria existido nem o High School Musical, nem o Glee , nem o The Voice", sublinha Mary McNamara, crítica de TV do jornal Los Angeles Times.

Ryan Seacrest, que hoje é um dos nomes maiores da indústria do entretenimento nos EUA, também deve toda a sua carreira ao programa de caça-talentos. "Nem consigo comparar a minha vida de antigamente com a de agora. Quando tudo isto começou, eu estava a viver num quarto e dividia a renda com outro homem", contou à revista People. Com a subida constante das audiências, não demorou muito até que o apresentador alcançasse, ele próprio, o estatuto de estrela. Muito por conta da sua famosa frase de abertura - "This... is American Idol!". "Ele é o homem que abre e fecha o programa, que se envolveu em memoráveis disputas com Simon Cowell. A sua força é a sua ubiquidade e, a cada ano, foi-se tornando mais poderoso", destaca o The Washington Post.

Para o sucesso do formato, para além dos vários talentos e do apresentador, muito contribuíram, também, as fortes personalidades (e por vezes incompatíveis) dos jurados que por lá passaram - como Ellen DeGeneres, Steven Tyler, Nicky Minaj, ou Mariah Carey.

A combinação de todos estes fatores tornou o Idol no número um de audiências nos EUA, durante oito anos seguidos (entre 2002 e 2010): a primeira temporada, por exemplo, despediu-se perante 23 milhões de espectadores; a quinta, perante 36 milhões; e a nona, já numa tendência decrescente, perante 24 milhões. A descida do número de seguidores deveu-se, sobretudo, ao sucesso de outros talent shows, motivo pelo qual a penúltima temporada, a 14ª, terminou com apenas oito milhões de fãs sintonizados.

Fim não será definitivo
American Idol despede-se hoje do pequeno ecrã, é verdade. Mas Simon Fuller já tem planos para reformular o formato e trazê-lo de volta. "O Idol vai certamente regressar. Agora, posso começar a pensar numa nova versão. Estreámo-nos quando o mundo digital ainda estava no início. Por isso, a próxima geração do Idol será muito mais interativa, muito mais imersiva", adianta.