Grego Yannis Behrakis é o fotógrafo do ano para o Guardian

Imagens do fotojornalista sobre crise financeira e drama dos refugiados foram premiadas pelo The Guardian

A eleição anual realizada peo diário britânico, que distingue o trabalho dos fotojornalistas de agências noticiosas, escolheu o grego Yannis Behrakis. O The Guardian explica no seu site que Yannis foi eleito devido aos "momentos impressionantes" capturados pela sua objetiva, sobre duas temáticas que marcaram o ano que agora termina: a crise dos refugiados e a implosão financeira na Grécia.

Yannis Behrakis, que trabalha para a agência Reuters, explica, em declarações ao The Guardian, que faz cobertura jornalística sobre migrantes e refugiados há 25 anos mas que "este ano foi diferente". "Os migrantes estavam a chegar ao meu país natal. Vários barcos, todas as noites. Todos os que vinham a bordo estavam assustados porque não sabiam como seriam as reações da polícia e dos habitantes locais", relembra o fotojornalista.

Behrakis revela ainda que "a parte mais fácil foi tirar fotografias". "A maior luta que vivi foi o envolvimento emocional. Era muito triste ver a mesma coisa a acontecer, dia após dia...". Parte das imagens captadas pelo fotojornalista grego tiveram como cenário as ilhas de Kos e Lesbos, que ficam a apenas cinco quilómetros da Turquia e onde chegam parte das pequenas embarcações que transportam refugiados sírios.

"No ano passado, estive em Suruc, na fronteira entre a Turquia e a Síria, a documentar a fuga de milhares de refugiados curdos de Kobani. Este ano, em Lesbos, um homem que conheci em Suruc reconheceu-me. 'Consegui, meu! Consegui!', disse-me", recorda Yannis Behrakis.

O fotojornalista admitiu ainda ao The Guardian que ter passado os últimos meses a acompanhar o drama dos milhares de refugiados em fuga da Síria teve consequências para a sua saúde física e emocional. "Sofri insónias, tive pesadelos e senti-me muitas vezes culpado por não poder fazer mais. Eu próprio tenho antepassados que foram refugiados - e sou pai".

Sobre a crise política e financeira grega, Behrakis explica que há também uma "enorme pressão emocional" porque as pessoas próximas de si estavam a sofrer. "Fiz, de forma ininterrupta, cobertura da crise financeira grega desde 2010. Nos meus 28 anos de carreira como fotojornalista da Reuters, a ideia de cobrir uma catástrofe no meu próprio país sempre me pareceu um pesadelo. Fiz o meu melhor para me manter imparcial enquanto reportava uma crise política e financeira que, no início deste ano, parecia impensável", explica o fotojornalista.

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