"Esta redução de salário foi a terceira e a mais dura"

José Carlos Malato conduz o novo programa semanal de autopromoção da estação pública, Cartaz RTP, emitido aos sábados à tarde. O profissional foi um dos que viram o ordenado reduzido para metade

Cartaz RTP marca o seu regresso à TV. Este é um remake de um programa dos anos 70, o Cartaz TV, mas agora com todos os canais: oito de televisão, sete de rádio e das plataformas online.

O programa é sobretudo isso: um clássico. É um espaço de autopromoção e o convite para o apresentar foi-me feito pela direção de programas da RTP1.

A sua função é também a de editor de conteúdos ou fica-se apenas pela condução do programa?

Faço os conteúdos, naturalmente em articulação com os diretores. Mas tenho liberdade total. Estou a fazê-lo no novo Centro de Inovação da RTP, que tem profissionais novos, com uma abordagem mais arrojada. É uma zona que não tem o peso institucional dos outros sítios.

Fazia falta à RTP um espaço de autopromoção?

Acho que sim. O difícil no universo RTP é escolher. Há muita programação e algumas flutuações de horários. Este trazer para a luz alguns formatos é muito importante. Eu lembro-me de trabalhar na autopromoção da SIC e de o Emídio Rangel dizer que mais importante do que os programas é a promoção que os canais lhes fazem.

Lidar com este universo fez que conhecesse melhor o mundo da estação?

Podemos dizer que se fez luz.

O programa mostra propostas de todos os canais de TV, rádio e online para uma semana. Sendo gravado com uma semana de antecedência, a atualidade não pode estar contemplada.

Essa é a grande dificuldade. No caso da RTP3, não consigo fazer grande coisa porque, como se sabe, o jornalismo não se prevê.

Cartaz RTP foi a proposta ideal para o fazer assinar, no final de 2015, novo contrato com a RTP por mais um ano?

Não vejo as coisas assim. É claro que um bom desafio é ótimo, mas o que vou fazer nunca é preponderante no ficar ou não ficar, no assinar ou não assinar. O que interessa é estar satisfeito, é perceber que esta conjuntura é diferente da anterior. Não estar agora incluído numa grelha semanal diária e de não estar a ser, de alguma maneira, tão preciso, não quer dizer que não mude. Eu estou bem assim. Estou contente com a minha situação e com as condições que me foram apresentadas.

No meio dessa conjuntura, entendeu a redução, quase para metade, do seu salário?

Claro que sim. Não fazia sentido que assim não fosse. Já tinha sofrido duas reduções de salário, esta foi a terceira e a mais dura, porque foi praticamente 50 por cento. Mas isto aconteceu a toda a gente e não foi algo de que não estivesse à espera. Não me deixou triste nem admirado. Era expectável.

Voltando ao programa, as gravações acontecem todas, ou quase todas, nas instalações da RTP. É um programa a custo zero?

Sim, por ser feito sem cenário, rentabilizando o espaço da estação.

Depois de Quem Quer Ser Milionário - Alta Pressão (QQSM), que conduziu entre abril e dezembro do ano passado, fazer o Cartaz RTP é menos tenso?

É diferente. O QQSM tinha que ver com conteúdos mais formatados. Eu gravava-o praticamente live on tape. Este implica um trabalho de construção. E também mais criativo. O outro é um programa de ação e este é de composição.

Com QQSM estava no ar em prime time. Agora chega aos portugueses aos sábados a seguir ao almoço. Em que é que o horário - e consequentemente o público para o qual trabalha - o influencia?

Em nada, mas porque o que gosto em televisão é o ato de fazer. É um trabalho que termina quando acabo de gravar. Ir para o ar é secundário.

O The Big Picture, com Pedro Fernandes, veio substituir o QQSM e tem feito o dobro das audiências. O público estava cansado do formato ou do apresentador?

O grande mérito é do Pedro. Ele é um rosto jovem e o formato também. O The Big Picture tem uma linguagem nova e refresca muito aquele horário. O Milionário tem anos!

Gostava, como agora acontece, de se dedicar mais aos bastidores?

Eu acho que isto da TV é um pouco como os jogadores de futebol. Há pessoas novas a apresentar e eu pondero isso. Mas a riqueza da RTP é que ela tem muitos canais e eu tanto posso estar a apresentar na RTP1, como na RTP Memória, na Interna-cional... Cada pessoa é única e pode dar o seu contributo especial. Os diretores e administradores têm de perceber os ativos que têm e onde os encaixar dentro deste puzzle que é a estação. Neste sentido, acho que tenho sempre lugar, seja longe ou perto dos holofotes.

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