Efeito Netflix: gigantes da net apostam em séries e filmes

Face ao fenómeno de popularidade do streaming, Google, Apple, Facebook e Alibaba reafirmam a aposta na indústria de entretenimento com a produção de conteúdos de ficção

Não há outro modo de o dizer. As plataformas de streaming Netflix, Amazon e Hulu já são tidas como as produtoras de algumas das melhores séries e ultrapassaram os canais de televisão em número de nomeações quer nos últimos Emmys quer nos Globos de Ouro. Não será então de estranhar que a Google, a Apple, o Facebook e o Alibaba, quatro gigantes da internet, estejam a apostar forte no entretenimento, com a produção de séries e filmes originais.

No entanto, nenhuma destas empresas - entre as mais ricas do mundo - quer entrar no mundo do entretenimento pela compra de outra companhia, mas sim pelo próprio pé. Mesmo tendo possibilidades financeiras para isso. Só a Apple, exemplificando, com o seu império de 190 mil milhões de euros, poderia comprar a Netflix, a Paramount Pictures, a HBO e a Warner Bros. Michael Yanover, responsável por uma das maiores agências de entretenimento no mundo, a Creative Artists Agency, concorda com a atitude dos gigantes da web. "O objetivo não é: "Vamos ajudar a Netflix a crescer." É: "Vamos criar o nosso próprio projeto, baseado nas próprias forças"."

No relatório anual da Apple para 2015, a empresa anunciou lucros de 16 mil milhões de euros nos seus serviços, onde se inclui a iTunes Store. Executivos da Apple já frisaram que veem neste tipo de serviços - onde se podem comprar "apps, filmes e séries de TV" - uma parte importante do seu crescimento. Não será então de estranhar que pouco depois o Hollywood Reporter anunciasse a primeira série original da Apple. Vital Signs terá seis episódios e é criada e protagonizada pelo rapper Dr. Dre. Várias pessoas dentro da indústria contam que o gigante da web "não só está à procura do seu House of Cards como de vários ao mesmo tempo", mas que também quer apostar em documentários e filmes com cantores, que ajudem a crescer o serviço de streaming Apple Music.

Já a Google acaba de se estrear na criação de ficção original. Em fevereiro, através do "seu" YouTube, a empresa seguiu o caminho da Netflix e da Amazon ao lançar, apenas para os seus subscritores pagos, um leque de filmes e séries originais, onde se incluem os projetos A Trip to Unicorn Island, Lazer Team ou Dance Camp. "É uma nova era em Hollywood. O YouTube é uma grande parte do futuro", frisa Jim Berkus, da agência United Talent.

Por seu lado, o Facebook tem apostado nas estrelas de Holly-wood. A rede social de Mark Zuckerberg tem tido reuniões com agências para que celebridades de topo usem cada vez mais o serviço Live Chat, onde falam em tempo real com os fãs. Para além de já emitir um programa de gossip em exclusivo, a rede social tem transmitido em primeira mão excertos de filmes como Star Wars: O Despertar da Força e até episódios inteiros de séries como Billions.

O gigante online chinês Alibaba quer ser "a maior companhia de entretenimento do mundo", diz o fundador Jack Ma. O milionário quer enfrentar Hollywood e acaba de construir os seus próprios estúdios, Alibaba Pictures. Por enquanto, tem dado a mão a algumas produções dos EUA. Em 2015, investiu no orçamento de Missão Impossível: Nação Secreta, com Tom Cruise, e promoveu-o nos seus serviços online. Resultado? O filme tornou-se o mais rentável de Cruise na China, rendendo 75 milhões de euros num fim de semana.

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