1986: As escolhas de Nuno Markl aos 15 anos

O argumentista da série "1986" recorda o que mais marcou nesse ano, quando tinha 15 anos.

Um filme
Regresso ao Futuro de Robert Zemeckis
Tal como Os Goonies, de Richard Donner, este filme protagonizado por Michael J. Fox estreou ainda no final de 1985 mas era um dos que estavam em cartaz em janeiro de 86 e que marcaram toda uma geração. "Foram filmes emblemáticos dessa altura", recorda Nuno Markl, que era espectador assíduo nos cinemas Turim e Fonte Nova, em Benfica, mas também ia aos cinemas maiores, no centro da cidade, como o Império, onde além de Os Caça-Fantasmas é capaz de ter visto o Rocky IV, de e com Sylvester Stallone, que estreou em Lisboa no final de janeiro de 1986. "Era um filme tramado, porque o meu pai era comunista e neste filme havia um americano que desancava um russo à pancada", ri-se o argumentista.

Uma música
Tarzan Boy de Baltimora
Não é por acaso que o primeiro episódio de 1986 se chama Tarzan Boy. O single do grupo italiano Baltimora foi lançado no verão de 1985 e foi um dos sucessos desse ano. "Pouco depois descobri os Talking Heads e comecei a gostar de música boa, mas houve uma altura parva na adolescência em que como toda a gente ouvia o Tarzan Boy eu também gostava", recorda Nuno Markl. Nesse verão, de férias com a família em Lagos, o jovem Nuno viu o vinil numa montra e quis comprá-lo: "A minha mãe, sabiamente, disse-me: não te vou comprar um disco com este calor, quando chegar a Lisboa está o vinil derretido. E eu, apesar dos meus 15 anos, papei a história." Ficou assim a salvo daquele "oh oh oh oh oh oh oh".

Uma memória
O computador Spectrum 128 k
Em 1986, Nuno participou num concurso de cartazes promovido pela junta de freguesia e não só viu o cartaz desenhado por si afixado por toda a Benfica como ainda ganhou o tão desejado Spectrum 128k, "que era muito melhor do que o 48k" e que os pais não lhe tinham comprado por ser muito caro. Ficar em casa a jogar computador era muito melhor do que ir aos bailes do liceu: "Lembro-me das festas de fim de ano no anfiteatro da Secundária de Benfica e de quão deprimente era quando as pessoas se começavam a emparelhar para dançar. E eu ficava ali no grupo dos nerds a dizer: dançar é tão estúpido. Era uma experiência dolorosa, queria era ir para casa jogar computador."

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