Acrobata das motas dá o derradeiro salto na TV

Eu Sou Evel Knievel estreia-se esta quinta-feira, no Discovery. Amigos, familiares e admiradores do piloto que fraturou 433 ossos recordam as suas acrobacias e vida boémia

26 de maio de 1975. O Estádio de Wembley, em Londres, recebeu a euforia de 90 mil pessoas. Nesse dia, o piloto mais radical da história do motociclismo desafiou, uma vez mais, as leis da gravidade. Quis saltar por cima de 13 autocarros, mas falhou. Abandonou a arena com o pélvis partido, mal conseguia andar. Ainda assim, dirigiu-se ao público: "Tenho a dizer-vos que foram as últimas pessoas a ver-me saltar. Nunca mais vou saltar. Estou farto". Felizmente para os fãs e para o desporto, isso não aconteceu.

Eu Sou Evel Knievel, documentário que assinala os 40 anos desta prova de fogo, estreia-se hoje, às 21.00, no Discovery Channel. E quem é Evel Knievel? "Sou temerário profissional", respondeu o próprio. De facto, os números não enganam: a sua carreira ficou marcada por acrobacias como o salto de 46 metros sobre as fontes do hotel Ceaser"s Palace, em Las Vegas, o voo sobre 19 carros no Canadá e a tentativa sobre os 500 metros de abismo do Snake River Canyon. Tudo isto, para além de lhe garantir um lugar no Hall of Fame do motociclismo, em 1999, registou-o também no livro do Guinness, por ter sofrido 433 fraturas ósseas.

O truque para sobreviver era simples. "Tens que ter uma atitude mental positiva. Se essa atitude não funcionar quando deres o salto, tens que ser homem suficiente para lidar com as consequências. Eu sou homem suficiente", garantiu, numa entrevista.

Nascido e criado na pequena cidade de Butte, no Montana, Robert Craig Knievel cedo começou a participar em espectáculos, gincanas e corridas. A ascensão meteórica do piloto, hoje considerado um ícone da cultura popular norte-americana, é retratada no documentário produzido por Derik Murray e Paul Gertz, que recupera imagens das suas grandes manobras, registadas pelas câmaras de televisão das grandes cadeias.

Sobre ele, fala quem melhor o conhecia: Willie Davidson, antigo presidente da Harley-Davidson; Steve Mandich, biógrafo de Knievel; e membros da família, como os seus filhos, Kelly e Robbie, e as suas mulheres, Linda e Krystal.

O homem que "não conhecia limites" e que "vivia de puro instinto" é ainda hoje admirado por muitos. Atores como Matthew McConaughey, Kid Rock, Michelle Rodriguez, Guy Fieri e Robbie Maddison, juntamente com várias estrelas do desporto radical atual, deram também o seu testemunho ao Discovery Channel.

Paralelamente a uma carreira ilustre, o documentário traça também o lado mais boémio do motociclista. "O Evel Knievel ganhou muito dinheiro e gastou-o ainda mais depressa do que o ganhou. Tinha as melhores roupas, os melhores sapatos, os melhores diamantes, os melhores carros, motas, mulheres... talvez por isso tenha acabado falido", conta um dos entrevistados.

Morreu a 30 de novembro de 2007, vítima de doença pulmonar. A sua vida é hoje recordada no pequeno ecrã ao longo de 90 minutos. Uma vida, segundo o seu filho, Robbie, longe de ser perfeita. "Era o meu pai perfeito? Claro que não! O seu nome era Evel! [trocadilho com "evil", inglês para malvado]".

Exclusivos