A nostalgia de Fuller House com um toque de modernidade

A segunda temporada da história revivalista da Netflix estreia-se a 9 de dezembro e o DN entrevistou o seu criador e os protagonistas

Quando os primeiros treze episódios da sitcom Fuller House se estrearam na Netflix, em fevereiro deste ano, as críticas foram devastadoras. Excruciante, a cheirar a podre, sem graça e terrível foram expressões usadas para classificar o regresso de uma comédia que tinha feito as delícias de milhões de fãs há mais de vinte anos, com Full House. Mas essa era uma altura em que as sitcoms de três câmaras e audiência ao vivo sobravam nas televisões. Em 2016, não havia nenhuma. Até a Netflix e o criador original, Jeff Franklin, terem concebido a nova vida da história.

Para surpresa dos críticos que destruíram a série, Fuller House tornou-se o programa mais visto da plataforma. Melhor: mais visto do que qualquer outra série na televisão. Mais do que The Walking Dead e House of Cards. Isto de acordo com a pesquisa da Symphony Advanced Media, que este verão calculou uma audiência média por episódio de 14,4 milhões de espectadores nos 35 dias após a estreia.

"Não me surpreendeu, porque Full House foi demolida desde o início mas a audiência adorou. Talvez tenha sido um pouco injusto", admite Candace Cameron-Bure, que interpreta D. J. Fuller. Candace é uma das protagonistas, com Jodie Sweetin (Stephanie Tanner) e Andrea Barber (Kimmy Gibbler), do trio feminino que lidera a série. A segunda temporada chega a 9 de dezembro e agora a expectativa é saber se a popularidade inesperada se irá manter. Mas como é que se explica este fenómeno?

"Somos o único show que está a fazer este tipo de televisão. É programação para fazer as pessoas sentirem-se bem", avança o criador, Jeff Franklin. "A maioria das séries é mais adulta, não tenta entreter adolescentes e crianças ao mesmo tempo que entretém adultos, por isso o seu humor é mais sexual e cínico." Fuller House tenta apelar a todas as idades, contrariando a segmentação da programação atual - miúdos vão ver o canal Disney ou o Nickelodeon, adultos veem Fox e Sci-Fi.

Há também uma dinâmica interessante entre as três mulheres que protagonizam a série, por oposição aos três homens que eram o centro do show original. São abordadas questões como divórcio, viuvez, vida romântica com filhos pequenos e a infertilidade de Stephanie Tanner. "Fiquei muito orgulhosa da série por abordar isto, algo de que não se fala muito em TV e especialmente em sitcoms", refere Jodie Sweetin. "Exemplifica como as famílias mudam e o que significa realmente o conceito de família."

Na segunda temporada, há mais comédia física, há mais risco. "Foi mais divertido para nós, porque ninguém sabia bem o que esperar inicialmente com nós as três juntas a liderar a série - especialmente a Andrea, que esteve fora da indústria estes anos todos", diz Candace. "Toda a gente estava cética, não sabiam se íamos conseguir levar isto em frente. E quando viram que conseguíamos, os argumentistas deram-nos mais e adorámos."

Estivemos na gravação de um dos últimos episódios, nos estúdios da Warner em Hollywood, e essa química entre os atores era palpável. Neste episódio específico estava reunida toda a família, o que significa que o lendário John Stamos fez uma aparição, juntamente com Lori Loughlin e Bob Saget. É também por isso que os fãs continuam a vê-la: à exceção de Marie-Kate e Ashley Olsen, as gémeas que faziam de Michelle no original, está toda a gente lá. É a oportunidade rara de recuperar um elenco bem-amado 29 anos depois da estreia inicial, uma nostalgia com um toque moderno que resultou melhor neste caso do que em revivalismos mais complexos, como McGyver ou Ficheiros Secretos.

"Quando as outras personagens regressam, é como se nos transportassem para o passado. É como trabalhar com a família", resume Jodie Sweetin. E quanto à recusa das irmãs Olsen de regressar à série, mesmo que apenas para um cameo? "Elas seguiram em frente e respeitamos isso", diz Andrea Barber. "A série é excelente tal como está."

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