A Febre do Ouro "tem ajudado" a mudar a opinião sobre mineiros

Os mineiros mais famosos da TV estão de volta ao canal Discovery com a sétima temporada da série documental. Um deles, Dave Turin, falou ao DN e explicou como tudo se alterou com a chegada dos novos episódios ao pequeno ecrã

Já estiveram a trabalhar em Porcupine Creek, no Alasca, em Klondike, região de Yukon a noroeste do Canadá, e, pela primeira vez, vão de malas e bagagens para o estado onde nasceram, Oregon, nos EUA. É esta a premissa que dá mote à sétima temporada de A Febre do Ouro, a série documental de sucesso que segue o dia-a-dia de um grupo de mineiros norte-americanos em busca de ouro e que se estreou neste domingo à noite no Discovery Channel, com um episódio especial de duas horas.

"Esta será uma temporada muito diferente. Acabámos a última no nosso melhor, com a maior quantidade de ouro que já conseguimos. Mas decidimos deixar Yukon para mudarmos de sítio e passar mais tempo com as nossas famílias. Essa é a parte entusiasmante. Mas, ao longo da temporada, vão ver que as coisas progridem de uma forma diferente em relação às nossas expectativas. As coisas mudam rapidamente e a nossa equipa começa a distanciar-se. Antes vivíamos juntos em Yukon, comíamos juntos, éramos como uma família, todos irmãos. Isso vai mudar neste ano", conta em entrevista ao DN Dave Turin, um dos elementos da equipa de mineiros.

O norte-americano acrescenta que a nova temporada do formato do Discovery irá apresentar as novas técnicas de extração de ouro desta equipa. "Porque o ouro está a uma maior profundidade do solo, teremos novos equipamentos e técnicas. Sempre que mudamos de local, nunca é o mesmo. Temos de nos adaptar e aprender novas formas para fazermos bem o nosso trabalho. Mas isso também se torna interessante para o espectador do programa", frisa Dave Turin, de 52 anos, que trabalhava anteriormente numa empresa de construção de estradas e que se apaixonou pela atividade mineira quando conheceu Todd Hoffman, um dos colegas da série, há sete anos.

"Ficámos todos muito surpreendidos com o sucesso da série", revela ao DN Dave Turin, sobre as audiências de A Febre do Ouro nos EUA, desde 2010. O mesmo acredita que o programa tem ajudado muitas pessoas a mudar a sua opinião sobre a atividade que executa há já sete anos. "As pessoas que nos veem percebem que não estamos só a esburacar o solo e os recursos naturais de uma população, e a deixar grandes buracos quando nos vamos embora. Isso não acontece. Ser mineiro tem deixado de ser encarado com uma má reputação um pouco por todo o mundo. Acho que temos ajudado nisso", adianta, confiante, ao nosso jornal.

Trabalho seis dias por semana

Explicando que "nunca se esquece do elemento de risco inerente à sua atividade", ao longo de um dia de trabalho, Dave Turin revela que ele e os seus colegas chegam a trabalhar seis dias por semana, 12 a 14 horas por dia. "Todas as grandes decisões, quer seja para onde nos iremos deslocar quer sobre o sítio onde esburacamos, ou a profundidade a que podemos ir, todas essas coisas têm um elemento de risco. As pessoas não percebem a quantidade de horas de trabalho que temos", diz.

Ao ser uma das estrelas de A Febre do Ouro, Dave Turin tornou-se também uma cara conhecida, algo que o próprio ainda acha estranho. Só no Facebook, o norte-americano tem mais de 80 mil seguidores. "Isso é de loucos, sim, é muita gente!", ri-se. "Gosto de me ver como um simples mineiro. E pensar que 80 mil pessoas estão interessadas em saber mais sobre o que eu faço, sobre outros aspetos da minha vida, e que se mostram preocupadas comigo, é fantástico. É tudo boa gente", revela, sobre a sua interação nas redes sociais com os admiradores.

A adaptação à mistura do seu mundo - o das minas - com o da televisão - o das câmaras - mostrou ser difícil nos primeiros anos do programa. "Foi estranho no princípio. Foi algo com o qual tivemos de aprender a lidar e a reagir. Temos de estar conscientes do trabalho que estamos a fazer, aprender a ser naturais ao fazê-lo para as câmaras e esquecermo-nos de que estão ali várias. Mas habituei-me a isso e a parte boa é que os operadores de câmara tornaram-se nossos amigos. Somos uma equipa. Eles percebem a pressão sob a qual nós estamos", afirma Turin.

Com uma audiência média de quatro milhões de espectadores por episódio, uma oitava temporada da série documental deverá estar garantida para o próximo ano, com a sétima já gravada por completo. Dave Turin diz que está "a fazer figas" para que tal aconteça, assim como os restantes participantes do formato, mas remata, com humildade, e entre risos: "Vamos estar a trabalhar num sítio qualquer em 2017 e estou certo de que o Discovery nos irá acompanhar. Mas essa é uma decisão que vem de cima [referindo-se aos responsáveis da estação]. Eu sou apenas um mineiro."

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