Universidade das Nações Unidas alerta para risco das desigualdades em Moçambique

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O diretor da Universidade das Nações Unidas (UNU-Wider), Finn Tarp, disse hoje em Maputo que Moçambique deve superar o risco das desigualdades sociais, assinalando que o fosso entre ricos e pobres está a agravar-se.

"A desigualdade aumentou e pode tornar-se um risco, porque, quando há desigualdade crescente, isto significa que os pobres beneficiam menos [do crescimento económico]", afirmou Finn Tarp, em declarações aos jornalistas.

Falando à margem da "Conferência sobre Pobreza e Desigualdade em Moçambique: O que está em causa?", Finn Tarp afirmou que o crescimento económico deve promover a inclusão, porque as assimetrias são um fator de instabilidade.

Por outro lado, prosseguiu, a exclusão da maioria da população dos benefícios do crescimento pode travar o desenvolvimento.

"Quando as pessoas não estão contentes, não ficam focadas no seu trabalho, além disso, está estabelecido, quer na literatura quer na política económica, que a desigualdade não tem justificação económica", frisou Finn Tarp.

O diretor da UNI-Wider apontou o êxodo rural, crescimento demográfico e o fraco desenvolvimento agrário como alguns dos principais fatores do agravamento da desigualdade no país.

Por seu turno, o diretor científico da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Emílio Tostão, declarou que a incidência da pobreza em Moçambique caiu de 69,7%, entre 1996 e1997, para 41,6%, na última avaliação, entre 2014 e 2015.

"Uma queda de quase 24% em perto de 20 anos é muito positiva e deve ser celebrada. No entanto, a UEM olha com preocupação para os índices do aumento da desigualdade económica entre os moçambicanos", disse Emílio Tostão.

A "Conferência sobre Pobreza e Desigualdade em Moçambique: O que está em causa" reúne hoje académicos da UEM, UNU-Wider e especialistas de agências das Nações Unidas para discussões sobre a pobreza em Moçambique e caminhos visando o combate à desigualdade.

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