UNICEF diz que são necessários 8,8 ME para ajudar crianças em Moçambique afetadas pelas intempéries

A UNICEF anunciou hoje que cerca de 600 mil pessoas foram afetadas pelas calamidades naturais que afetaram Moçambique, estimando que sejam necessários 10 milhões de dólares (8,8 milhões de euros) para responder às "necessidades mais urgentes das crianças".

"O ciclone Idai atingiu agora uma população que já estava em desespero e extremamente vulnerável. O impacto da tempestade está a multiplicar o seu sofrimento", afirmou Marcoluigi Corsi, o representante da Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique, numa informação enviada à Lusa.

Das cerca de 600 mil pessoas afetadas, a UNICEF estima que 260 mil sejam crianças, estando milhares deslocadas devido ao facto de as suas casas terem sido destruídas.

Marcoluigi Corsi revelou que a situação "é séria" e que a UNICEF e os seus parceiros estão prontos para apoiar o Governo a levar "apoio urgente à população afetada, incluindo água potável, saneamento e higiene, bem como cuidados médicos."

A UNICEF está atualmente a colaborar com a agência nacional de desastres e outras agências da ONU para avaliar a dimensão do desastre, com o restabelecimento de linhas de comunicação na área inundada da região de Sofala e o acesso das equipas humanitárias às áreas de desastre a serem as maiores preocupações.

"Apesar de todos os desafios, estamos bem preparados, pois temos vários equipamentos e materiais de apoio pré-posicionados como lonas, 'kits' de higiene e pastilhas de purificação de água disponíveis no país. Estes podem ser entregues rapidamente e ajudar nos primeiros dias", referiu ainda Marcoluigi Corsi.

A UNICEF estima que necessitará de cerca 10 milhões de dólares para responder "às primeiras necessidades mais urgentes das crianças".

O ciclone Idai provocou pelo menos 19 mortos e 70 feridos desde a noite de quinta-feira na província central de Sofala, Moçambique, de acordo com um balanço preliminar hoje anunciado pelas autoridades.

Um total de 13 vítimas mortais foram registadas na cidade da Beira, uma das maiores do país, e outras seis no distrito limítrofe de Dondo, segundo informação do governo provincial citada pelos órgãos de comunicação estatais.

As mortes foram causadas pelo desabamento de casas precárias e outras estruturas, bem como por afogamento.

A recolha de informação por parte das equipas de socorro no terreno tem sido dificultada pelas falhas de energia e comunicações.

Antes da chegada do ciclone Idai, formada no oceano Índico, outras 15 pessoas já tinham morrido entre os dias 06 e 13 de março durante a passagem de uma tempestade no centro e norte de Moçambique, segundo as Nações Unidas.

Somando os registos, o número de mortes devido às intempéries ascende a pelo menos 34 mortos em pouco mais de uma semana.

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