União Europeia lança projeto contra casamento forçado na Guiné-Bissau

A União Europeia e um grupo de organizações não-governamentais apresentaram hoje em Bissau, Guiné-Bissau, um projeto-piloto para garantir o cumprimento dos direitos das meninas e mulheres através de uma abordagem transversal.

Financiado pela União Europeia, o projeto vai ser implementado pela Mani Tese em parceria com outras organizações não-governamentais, incluindo a Rede Ajuda, a Fundação Fé e Cooperação, ENGIM e GEIOJ, e foi lançado por ocasião do Dia da Mulher, que se assinala na quinta-feira.

"No que diz respeito às instituições, o projeto vai trabalhar com a Polícia Judiciária, os Centros de Acesso à Justiça e o Instituto da Mulher e da Criança", explicou a representante da União Europeia, Tina Bastos.

Segundo a responsável, o projeto é "muito ambicioso" e "vai colocar uma semente que deve germinar, criar raízes e expandir-se para que as raparigas e as mulheres guineenses possam viver em dias livres de toda e qualquer violência".

O projeto-piloto vai atuar na promoção da autonomia socioeconómica das mulheres e ao mesmo tempo melhorar o acesso à denúncia, proteção e reinserção das vítimas de violência na região de Bissau, Tombali, Bafatá, Gabu e Quinara.

"A violência contra as mulheres está enraizada na sociedade guineense", salientou Tina Bastos, dando como exemplo os Indicadores Múltiplos da ONU que referem que 41,8% das mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos consideram aceitável a violência doméstica, enquanto 28,7% dos homens da mesma faixa etária consideram aceitável.

Os Indicadores Múltiplos da ONU, de 2014, indicam que 37% das meninas com idade inferior a 18 anos e 7% com idade inferior a 15 anos foram obrigadas a casar na infância.

Os mesmos dados indicam que seis em cada 10 daquelas meninas tinham um marido que era, em muitos casos, 20 anos mais velho.

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