Trump defende-se das revelações do relatório da investigação russa de Mueller

Washington, 19 abr 2019 (Lusa) -- O Presidente norte-americano defendeu-se na quinta-feira das revelações apresentadas no relatório sobre a ingerência russa nas eleições presidenciais, segundo as quais Donald Trump pretendia demitir o procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação.

"Eu tinha o poder de acabar com toda essa caça às bruxas se quisesse, poderia ter demitido todos, até mesmo Mueller, se quisesse, optei por não fazê-lo", escreveu na sua conta na rede social 'Twitter' o Presidente dos Estados Unidos, a bordo do 'Air Force One', que o transportava para a Florida, onde vai passar o fim de semana pascal.

"Eu tinha o DIREITO de usar as minhas prerrogativas presidenciais, eu não fiz isso!", acrescentou.

O procurador especial Robert Mueller afirma no relatório sobre as suspeitas de ingerência russa que Donald Trump tentou influenciar a investigação para "restringir o seu alcance" e deu "respostas desadequadas" às perguntas que lhe foram feitas.

"O Presidente Trump reagiu negativamente à nomeação do procurador especial [Mueller]. Disse aos assessores que era o fim da sua presidência", lê-se na versão do relatório divulgada hoje pelo Departamento de Justiça.

Donald Trump "tentou que o procurador especial fosse afastado e desenvolveu esforços para restringir a investigação e evitar a divulgação de provas da mesma, incluindo através de contactos públicos e privados com potenciais testemunhas".

Estas passagens do relatório de Mueller foram divulgadas depois de o procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, ter afirmando aos jornalistas que não há "provas suficientes" de obstrução à justiça da parte de Trump na investigação às alegações de ingerência russa na campanha presidencial norte-americana de 2016.

"Os esforços do Presidente para influenciar a investigação foram infrutíferos na sua maioria, mas isso deve-se sobretudo ao facto de as pessoas que rodeavam o Presidente se terem negado a executar ordens ou a aceitar os seus pedidos", lê-se no relatório Mueller, de mais de 400 páginas.

O documento revela também que Mueller considerou "desadequadas" as respostas escritas que Trump lhe enviou em novembro passado no âmbito da investigação.

"Reconhecendo que o Presidente não aceitaria ser interrogado voluntariamente, considerámos a possibilidade de emitir uma notificação para testemunhar", diz o relatório.

Mueller decidiu, no entanto, não o fazer, devido ao "custo de um litígio legal potencialmente longo" a que podia dar origem e porque considerou que já tinha "provas substanciais" sobre "a intenção e credibilidade" das ações de Trump.

O procurador especial analisou 10 episódios, entre os quais a reação de Trump à nomeação de Mueller, o afastamento do diretor do FBI James Comey e o relacionamento de Trump com o seu advogado pessoal Michael Cohen.

Segundo o documento, em maio de 2017, quando o então procurador-geral, Jeff Sessions, lhe disse que Mueller tinha sido nomeado, Trump encostou-se na cadeira e disse: "Oh, meu Deus. É terrível. É o fim da minha presidência. Estou f***!".

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