Três dezenas de manifestantes protestam em Lisboa contra acordo CETA

Cerca de trinta manifestantes protestaram hoje, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, contra a aplicação do CETA, o Acordo Económico e Comercial entre a União Europeia (UE) e o Canadá.

Pelas 15:30, antes de no plenário se iniciar o debate sobre o tratado CETA (acrónimo, em inglês, de 'Comprehensive Economic and Trade Agreement'), os manifestantes seguravam cartazes com reivindicações e ouviam-se palavras de ordem, como "Abaixo o CETA, sim ao comércio justo"

"O CETA visa uma transformação profunda nas nossas sociedades e no nosso ambiente, porque nivela por baixo", disse à Lusa Bruno Góis, membro da Plataforma Não ao Tratado Transatlântico (PNTT), justificando que a UE tem critérios mais elevados "na produção de serviços, mercadorias e na prestação de serviços públicos e o Canadá, níveis mais baixos de regulação".

Já a representante da associação Precários Inflexíveis, Tânia Russo, destaca que o acordo coloca em causa "o princípio de associação sindical e a contratação coletiva" e exerce uma "pressão pela flexibilização laboral e pela precarização, porque o Canadá tem uma legislação laboral menos protetora".

Tânia Russo acrescenta que os trabalhadores ficam desprotegidos, uma vez que o CETA tem como prioridade o investimento e o interesse económico, colocando em causa, entre outros aspetos, a segurança no trabalho.

"A prioridade do CETA vai sempre para o lado do investimento e do interesse económico, os trabalhadores ficam sempre desprotegidos, mesmo até em matéria de segurança no local de trabalho e saúde", referiu.

Questionado sobre o desfecho da votação do acordo, que decorre na quarta-feira no parlamento, Bruno Góis revela que a plataforma já sabe o sentido de voto de alguns partidos e que está expectante que outras forças políticas mudem de posição.

"O Bloco de Esquerda, o Partido Comunista, os Verdes e o PAN vão votar contra e nós estamos expectantes que outras forças políticas mudem de posição", concluiu.

O tratado CETA é o primeiro acordo económico da UE após o Tratado de Lisboa a incluir um capítulo inteiramente dedicado aos investimentos, reduz as taxas aduaneiras para um grande número de produtos e uniformiza normas para favorecer intercâmbios e para mudar profundamente as relações comerciais entre o Canadá e a UE.

Bruxelas e Otava estimam que terá um impacto anual de 12 mil milhões de euros para a UE e de 8 mil milhões de euros para o Canadá.

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