Tecnologia e ciência ao serviço da deficiência intelectual em Coimbra

A Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Coimbra está a apostar cada vez mais na tecnologia e na ciência como ferramentas ao serviço da deficiência intelectual, reconheceu hoje uma responsável.

"Temos vindo a perceber que o uso da tecnologia tem sido um fator de motivação, capaz de nos permitir intervir ao nível das atividades diárias", disse à agência Lusa Ana Mendes, terapeuta ocupacional da APPACDM de Coimbra.

Esta responsável diz notar que com o uso da tecnologia há um aumento de autonomia por parte destes cidadãos, assim como uma melhoria na qualidade de vida ou um incremento nas competências cognitivas e motoras, entre outras.

"Mas também muito a questão social. Por exemplo, uso das redes sociais, nomeadamente para comunicar com outras pessoas que já não veem há algum tempo. Nota-se muito bem a evolução. A primeira vez é sempre uma surpresa, mas aderiram muito facilmente e vão avançando nos jogos com naturalidade. É um projeto para continuar", garantiu.

Como exemplo deste novo projeto surge o Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) de S. Silvestre, no qual é possível ver os utentes a utilizarem 'tablets' e aplicações móveis, o computador SiosLife, entre outros.

"Ao mesmo tempo, esta Unidade Funcional alberga a mais recente ferramenta tecnológica: uma impressora 3D. O objetivo desta nova tecnologia é a criação de ajudas técnicas para utilização dos utentes no seu dia-a-dia", diz a APPACDM em nota enviada à agência Lusa.

A SiosLife, por outro lado, explica a APPACDM, é uma "plataforma interativa de fácil utilização, que permite o acesso a novas tecnologias com soluções adaptadas às suas características e necessidades dos clientes, possibilitando a manutenção e aquisição de competências cognitivas e motoras relacionadas com as atividades que podem ser desenvolvidas".

"Para tal, tem um ecrã de toque, sensores de movimento numa câmara para realização de atividades motoras, comandos de voz e gestos. O ecrã é ergonómico, pois a posição do equipamento é ajustável consoante as características físicas dos utilizadores".

Tem disponível várias aplicações que permitem a intervenção ao nível das competências cognitivas (memória, atenção, velocidade de processamento da informação) e motoras (coordenação motora, utilização dos membros superiores, conseguindo em algumas atividades coordenar com os membros inferiores), por exemplo, 'puzzles', jogos de tocar nas formas/insetos que aparecem, jogos de palavras, jogos de números, jogo da memória, jogos de apanhar fruta/obstáculos onde se conseguem visualizar a si e aos objetos que vão surgindo no ecrã e que devem alcançar/tocar.

A APPACDM lembra também que lançou em dezembro de 2017 a aplicação móvel Explor'House: "Trata-se de uma aplicação para telemóvel e/ou 'tablet' na qual são realizadas tarefas do quotidiano nas diferentes divisões de uma casa, com a possibilidade de explorar outras atividades, como jogos e 'puzzles'".

"Com o recurso a esta aplicação, existe intervenção ao nível das funções cognitivas, com repercussões na autonomia em atividades da vida diária, bem como na qualidade de vida de jovens/adultos com deficiência intelectual, nos vários contextos de vida", acrescenta a associação.

"Criar uma aplicação com o cenário virtual de uma casa para realização de diferentes tarefas em cada divisão, onde o indivíduo participa nas rotinas diárias de uma família, foi o motor impulsionador do projeto", reforça a APPACDM.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.