Em declarações à Lusa, Francisco Figueiredo, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, afirmou que esta ação sindical visa sensibilizar "utentes e trabalhadores" daquele hospital privado para o facto de "o Grupo Mello ter criado um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE)", o que lhe permite "não aplicar o contrato coletivo de trabalho"..O sindicato, que representa os trabalhadores do setor da hospitalização privada, "já teve duas reuniões com os responsáveis do Grupo Mello Saúde por causa da contratação pública, mas não foi possível obter um acordo", disse.."Está já agendada para terça-feira uma reunião no Ministério do Trabalho, no Porto, e foi já pedida uma reunião ao ministro da Saúde" para abordar este assunto, afirmou o sindicalista..Em causa está o facto de o Grupo Mello ter criado um ACE que presta serviços de saúde, administrativos e operacionais e para quem os hospitais CUF passaram os trabalhadores com o único objetivo de não aplicarem o contrato coletivo de trabalho", explicou..Para o sindicato, o facto de ter sido criado esta ACE não desobriga o Grupo Mello Saúde a aplicar o contrato coletivo de trabalho..Francisco Figueiredo explicou também que, não aplicando a contratação coletiva, o grupo consegue não aplicar a tabela salarial em vigor para o setor da hospitalização privada, bem como não pagar o subsídio de turno e o trabalho suplementar.."O Grupo Mello é o único [no setor da hospitalização privada] que não aplica a contratação coletiva", sustentou..O sindicalista referiu ainda que este procedimento se estende a outros hospitais do Grupo, que "possui 16 unidades de saúde e emprega ao todo 11.700 trabalhadores"..A ação sindical hoje realizada à porta do CUF Porto Hospital, na estrada da Circunvalação, contou com cerca de uma dezena de dirigentes e delegados sindicais que distribuíram um comunicado sobre a situação a trabalhadores e utentes..Contactada pela Lusa, a José de Mello Saúde disse que "não se revê e estranha, por isso, a ação hoje realizada, já que tem mostrado total disponibilidade para reunir e debater as preocupações do Sindicato de Hotelaria do Norte, estando inclusivamente agendada uma reunião para amanhã"..Numa resposta escrita enviada à Lusa, a empresa refere ainda que "acredita que os seus mais de 8.000 colaboradores são determinantes na concretização da sua visão, pelo que o respeito pelos seus direitos é ponto assente na política de desenvolvimento de recursos humanos".