Secretária-geral Ibero-americana lamenta decisão de Trump de acabar com programa para imigrantes

A secretária-geral Ibero-americana, Rebeca Grynspan, lamentou hoje a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de acabar com o programa Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), que protege cerca de 800 mil jovens, segundo a EFE.

"Lamento profundamente a situação que enfrentam hoje centenas de milhares de 'dreamers' (sonhadores), jovens originários de países da nossa região que na sua maioria chegaram aos EUA antes dos 6 anos e que se veem afetados pelo cancelamento do programa DACA)", escreveu Rebeca Grynspan, na rede social Facebook.

Para a secretária-geral, os jovens são a "grande força" da sua região e considera que esta situação provoca "incerteza e medo" junto dos afetados.

Rebeca Grynspan acrescenta que a inclusão e participação económica dos jovens é "fundamental para o progresso social e para a sobrevivência das sociedades modernas".

"Para eles e para elas, o meu reconhecimento e encorajamento neste momento. Estou confiante de que a situação atual será resolvida em breve, para que seja possível que eles escolham o futuro como eles merecem", termina a secretária-geral.

O programa permite a jovens que foram levados para os EUA em criança de forma ilegal receberem proteção contra deportação, autorização de trabalho e número de segurança social.

O Estado norte-americano calcula que 2,1 milhões de pessoas possam beneficiar, direta ou indiretamente, do programa, que não inclui pessoas com mais de 31 anos ou que tenham chegado depois de 2007.

Neste momento, 750 mil pessoas usufruem de proteção, o que lhes permitiu frequentar a universidade, trabalhar de forma legal, visitar o país de origem e ter carta de condução.

As únicas diferenças destas pessoas para um cidadão norte-americano é que não têm passaporte, não podem votar e podem ser deportados se cometerem algum crime.

Centenas de portugueses deverão ser afetados por esta medida, segundo estimativas de fontes da comunidade.

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