Presidente do IPO-Porto favorável à aprovação do uso da canábis para fins terapêuticos

O presidente do IPO-Porto defendeu hoje que "seria pouco sensato" não legalizar o uso terapêutico da canábis em Portugal, revelando que nenhuma terapia atualmente em uso no tratamento do cancro "vai além dos efeitos paliativos".

Falando a título pessoal numa palestra promovida pelo Bloco de Esquerda sobre a matéria em apreciação na especialidade na Assembleia da República, que decorreu no IPO do Porto, Laranja Pontes defendeu o uso da canábis para fins terapêuticos, considerando que "seria pouco sensato" se não vier a ser aprovado, em março, no parlamento.

"Como médico, considero uma pena que, por causa desta diabolização, não se tenha feito investigação noutras áreas", disse o responsável para quem "pode ser provado que a canábis pode ter interesse na imunologia, numa altura em que nenhuma outra terapia vai além dos efeitos paliativos".

Em nome do BE, o deputado Moisés Ferreira manifestou a abertura do partido para "se chegar a um consenso" na comissão e lembrou as "evidências científicas que certificam os benefícios terapêuticos", revelando que o projeto lei apresentado é um "decalque do modelo canadiano", citando-o como um dos "inúmeros exemplos das experiências feitas no estrangeiro".

Garantindo que a introdução do autocultivo "não visa abrir a porta a outra coisa qualquer", Moisés Ferreira relatou que o perigo de, uma vez aprovado o uso para fins medicinais, este atingir um "valor exorbitante nas farmácias", pode ser evitado recorrendo ao modelo italiano, "em que a canábis é plantada, controlada e comercializada pelo Exército".

Investigadora e diretora do laboratório "Biologia da Adição" no I3S Porto, Teresa Summavielle concordou nas "evidências de que os canabinoides funcionam em certas patologias", mostrando, contudo, reservas "no seu uso em adolescentes", justificando-o com o facto de estarem "na fase de reformatação da forma como os neurónios comunicam entre si e que tal pode ser perigoso".

A investigadora considerou também "não razoável o autocultivo" pelo "perigo da manipulação que pode modificar o efeito psicoativo".

O presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Henrique Barros argumentou que a canábis "fez parte, há 150 anos, da oferta farmacêutica nos Estados Unidos e no Reino Unido" e que "em alguns dos aspetos em que não tem sido usada, não existem alternativas nem à canábis nem à marijuana".

Médico neurologista, Bruno Maia criticou quem, na discussão no parlamento, "disse serem necessários mas estudos", argumentando com as polémicas havidas em torno da "pílula, distribuição de seringas e a legalização do aborto" para justificar um "proibicionismo" que, de tempos a tempos, "aparece na Assembleia da República".

Por força da oposição do PCP, PSD e CDS às propostas de lei apresentadas, o BE decidiu então baixar à comissão da especialidade, onde vai ser discutido a partir de quinta-feira, segundo Moisés Ferreira, subindo depois ao Parlamento para ser votado em março.

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