Presidente da Alboa critica "discrepância" no tratamento dos casos do Banif e BES

O presidente da Associação dos Lesados do Banif (ALBOA) afirmou que houve "uma discrepância total e injustificada" no tratamento da situação dos lesados deste banco e os do BES, defendendo ser necessário uma solução para credibilizar o sistema financeiro português.

"Claramente [os lesados do Banif] estão a ser tratados de forma diferente aos lesados do Banco Espírito Santo [BES]. Houve uma discrepância total e injustificada, sendo que, e falo pelos lesados do Banif, somos lesados de um banco que o Estado estava presente e o BES era um banco privado. Basta dizer isto", afirmou Jacinto Silva depois de reunir hoje no Funchal com elementos do grupo parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira.

O responsável associativo disse aos jornalistas que o encontro de hoje serviu para "uma troca opiniões em função daquilo que foi aprovado, na semana passada, na Assembleia da República, relativamente às recomendações do Governo para arranjar uma solução para os lesados do Banif".

Em 19 de janeiro, a Assembleia da República (AR) aprovou hoje, sem votos contra, projetos de resolução apresentados pelo PSD, CDS-PP, PS e BE sugerindo novas soluções para a resolução das questões que envolvem os lesados do BES/GES e Banif.

"O primeiro passo foi dado de uma forma praticamente unânime, em termos de grupos parlamentares com assento na AR, é um passo importantíssimo que recomenda ao Governo que arranje uma solução ", declarou Jacinto Silva.

O presidente da Alboa, acrescentou que falta dar "mais um passo seguinte", falando da importância da "declaração de vendas fraudulentas".

"Por uma questão de equidade estamos seguros que terá que existir uma solução para estas pessoas todas que foram lesadas com a resolução do Banif", disse, apontando que depois de ter sido entregue a documentação necessária, é necessário "sentar à mesa e encontrar uma solução" para a situação destas pessoas.

No entender de Jacinto Silva "tem de haver é uma solução para todos estes problemas de forma a credibilizar o sistema financeiro português,", considerando que "o Estado que está atento e com boa intenção" e opinou que o mundo está cheio de "boas intenções".

Por seu turno, o deputado da maioria social-democrata madeirense João Paulo Marques criticou a atuação do primeiro-ministro, António Costa, nesta matéria.

"Temos um primeiro ministro que sempre que vem à Madeira promete uma solução para os lesados do Banif e, neste momento, nada foi feito por estas pessoas", sustentou.

O parlamentar do PSD da Madeira argumentou que "foi o primeiro-ministro que declarou que os lesados tinham sido aldrabados pelo sistema bancário", considerando ser de "estranhar ser o mesmo que assinou a medida de resolução e a venda do banco com custo para o Estado e os contribuintes de mais de três mil milhões de euros".

Mas, realçou, "infelizmente nenhum desse dinheiro chegou à mão dos lesados".

"Do ponto de vista do PSD [Madeira] continuamos empenhados no trabalho da comissão de inquérito sobre o Banif (...) e estamos decididos a produzir um relatório final que impeça que situações destas, como a do Banif, se repitam em Portugal", apontou João Paulo Marques.

Também salientou que o partido "já apresentou um projeto de resolução na Assembleia da República que garante uma solução prática, eficaz e justa para os lesados".

"Portanto, neste momento, o primeiro-ministro e o Governo da República têm tudo para resolver o problema a esta pessoas", vincou, sublinhando que "não há desculpas para que os lesados do Banif continuem a esperar por reaverem aquele que é o seu dinheiro".

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