PM israelita Netanyahu exorta países europeus a imporem sanções ao Irão

Jerusalém, Israel, 01 jul 2019 (Lusa) -- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, exortou hoje os países europeus a imporem sanções ao Irão, poucas horas depois de Teerão ter confirmado que ultrapassou o limite das reservas de urânio autorizado no acordo internacional de 2015.

"Prometeram que iriam agir assim que o Irão violasse o acordo nuclear. Então agora digo-vos: façam isso. Mantenham os vossos compromissos", afirmou Netanyahu, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, indicou hoje que o Irão ultrapassou o limite imposto às suas reservas de urânio enriquecido pelo acordo nuclear internacional.

"De acordo com informações na minha posse, o Irão ultrapassou o limite de 300 quilogramas" de urânio pouco enriquecido, disse Zarif, em declarações à agência semioficial Isna.

Esta será a primeira vez que Teerão viola um dos seus compromissos em relação ao pacto.

Na mesma nota, Benjamin Netanyahu frisou ainda que a decisão de Teerão é "um passo significativo para o desenvolvimento de uma arma nuclear".

E avançou que Israel, que encara Teerão como uma ameaça, "irá revelar em breve mais provas de que o Irão tem estado a mentir o tempo todo" sobre o seu programa nuclear.

O primeiro-ministro israelita é um reconhecido crítico do Irão, acusando regularmente a República Islâmica de ter planos para desenvolver armas nucleares.

Em 2018, Benjamin Netanyahu divulgou que Israel tinha tido acesso a milhares de documentos (incluindo fotografias e vídeos) que provavam, segundo o próprio, que o Irão tinha um programa nuclear secreto. E chegou a apresentar publicamente alguns desses documentos.

Teerão tem insistido que o seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Concluído em julho de 2015 em Viena, o acordo internacional (assinado então pelos Estados Unidos, Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) determina que Teerão aceite limitações e maior vigilância internacional do seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais.

Mas Washington retirou-se unilateralmente do pacto há um ano, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.

Os europeus, a China e a Rússia mantêm o seu compromisso, mas até agora não têm sido capazes de permitir que o Irão beneficie das vantagens económicas com que contava devido às sanções norte-americanas.

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