Plataforma Laboral e Popular luta contra precariedade no turismo fluvial do Douro

A Plataforma Laboral e Popular (PLP) realizou hoje de manhã, no cais de Vila Nova de Gaia, uma ação de protesto contra a precariedade dos trabalhadores do setor do turismo fluvial do rio Douro.

Distribuindo panfletos bilingues (português e inglês), com o título "Douro em Luta", junto de turistas e transeuntes, quatro elementos da PLP pretenderam chamar a atenção para a necessidade de "acabar com a precariedade no setor do turismo", "acabar com os salários miseráveis" pagos pelos operadores no Douro e "acabar com os abusos nas jornadas semanais", de "60 horas, sem direito a descansar dois dias por semana".

Gonçalo Gomes, porta-voz da PLP, que foi criada em 2016, afirmou aos jornalistas que existe "escravatura laboral" neste setor, garantindo que "esta situação se generaliza a todos os operadores" do rio Douro.

"Esta situação generaliza-se a todos os operadores, todos são exploradores. Dentro de um regime que é a ditadura capitalista não nos podemos admirar deste tipo de escravatura laboral", afirmou.

Apontou como exemplo a realização de "60 horas semanais, sem direito ao seu descanso semanal, de duas folgas por semana," e disse que estes trabalhadores comem "restos das refeições" dadas aos turistas.

"Esta luta inclui todos os trabalhadores, desde os barcos rabelos até barcos hotéis, e de todo o rio Douro, até Barca d'Alva", disse, adiantando que "enquanto trabalhador ainda afeto" a uma empresa que opera no Douro, mas "numa perspetiva de rotura por estar em tribunal" contra a sua entidade patronal, "em nove anos de trabalho" comeu "restos do almoço dado aos turistas" todos os dias.

No panfleto distribuído, a PLP apela "à resistência, ao boicote, ao combate" até serem conquistadas as reivindicações, designadamente "contratos de trabalho efetivos", salários de, "pelo menos, 750 euros" e o fim de "abusos nas jornadas [de trabalho] semanais e folgas".

"O nosso maior foco é o clima de medo gerado pela entidade patronal e a opressão ao trabalhador", frisou.

Segundo o porta-voz, que preferiu não revelar o número de trabalhadores ligados à PLP para os "proteger", "há uma estimativa de 500 trabalhadores afetos a todas as categorias envolventes ao turismo fluvial do Douro".

Presente no local por ter tido conhecimento através da comunicação social da realização de uma manifestação contra esta situação, António Gomes, de 61 anos, afirmou aos jornalistas ter já vivido algumas das situações relatadas pela PLP, quando trabalhou na empresa Douro Azul.

"Trabalhei lá [há mais de dois anos]. Felizmente, para mim e para a minha saúde mental e física, desisti (...). Quando concorri para o lugar foi-me prometido um salário de 800 euros e duas folgas por semana, num horário de 40 horas semanais, mas nunca existiram", disse, acrescentando que trabalhava "das 06:00 às 22:00".

A PLP promove esta tarde, pelas 15:30, uma manifestação idêntica no cais da Ribeira, no Porto.

Gonçalo Gomes justificou a ausência de trabalhadores do setor presentes no local com o facto de estarem todos a trabalhar e terem medo de represálias.

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