PERFIL: São Tomé/Eleições: Jorge Bom Jesus chega ao Governo para liderar 'gerigonça'

O novo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus, chega ao poder cinco meses após assumir a liderança do MLSTP-PSD, segundo partido mais votado nas eleições legislativas de outubro, e vai gerir um Governo apoiado numa "geringonça".

O XVII Governo de São Tomé e Príncipe, chefiado por Jorge Bom Jesus, indigitado pelo Presidente da República na quinta-feira passada, tomou hoje posse, numa cerimónia no Palácio do Povo, sede da Presidência.

O executivo é composto por elementos do segundo e terceiro partidos mais votados nas eleições legislativas de 07 de outubro - Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD, com 23 assentos) e coligação PCD-UDD-MDFM (cinco mandatos) -- que assinaram um acordo pós-eleitoral com incidência parlamentar e fins governativos.

Este acordo assegurou a maioria absoluta às duas forças (28 deputados em 55) na Assembleia Nacional, uma solução comparada à 'geringonça' portuguesa, em que PCP, Bloco de Esquerda e Verdes apoiam, no parlamento, o PS, que formou Governo apesar de ter sido a segunda força mais votada nas eleições, em que o PSD ficou em primeiro lugar.

As duas forças prometeram fazer cair no parlamento um eventual executivo do partido mais votado nas eleições, Ação Democrática Independente (ADI) - que governou na legislatura anterior e que venceu as eleições com maioria simples (25 deputados) - e o Presidente da República, Evaristo Carvalho, indigitou na semana passada Bom Jesus para formar Governo.

Bom Jesus chegou à liderança do MLSTP-PSD em julho passado, com a missão de "ganhar o país" e para "fechar o ciclo de incertezas" naquele que era então o maior partido da oposição.

A sua eleição procurou encerrar uma crise interna que o partido viveu nos últimos anos, afastando Aurélio Martins, que os militantes acusavam de manter uma relação próxima com o primeiro-ministro e presidente do partido que estava então no poder, ADI, Patrice Trovoada.

Na campanha eleitoral prometeu que a primeira medida que tomará, enquanto chefe do Governo, é convocar um conselho de ministros para reverter a alteração horária imposta pelo executivo de Patrice Trovoada.

Outro desafio que Bom Jesus terá é o de procurar uma solução a curto prazo para a crise de falta de energia que atinge o país há vários meses, mas que se agravou em novembro, com localidades a ficarem sem luz durante dias consecutivos, o que levou a protestos de várias populações.

Jorge Bom Jesus nasceu a 26 de julho de 1962 em Conceição, distrito de Água Grande, em São Tomé e Príncipe. É casado e tem cinco filhos, com idades entre os 25 e os sete anos.

O novo primeiro-ministro, 56 anos, tem mestrado em língua portuguesa com especialização em literatura africana, é licenciado em pedagogia e francês e doutorando em administração pública. Estudou em Toulouse, França, e na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal.

Foi ministro da Educação, Cultura, Desporto e Ciência em três governos e também desempenhou funções como secretário-geral da comissão nacional para Unesco ou diretor da Biblioteca Nacional são-tomense.

Jorge Bom Jesus é católico, devoto de Nossa Senhora de Lourdes, e as referências religiosas nas suas intervenções são uma constante: invoca frequentemente a proteção de Nossa Senhora, de São Tomé e Santo António, entre outros.

No dia das eleições, por exemplo, começou a manhã com uma missa na igreja onde se casou -- Nossa Senhora de Lourdes --, de onde afirmou ter saído "abençoado".

É adepto do Sporting Clube de Portugal, escreve poesia e prosa e tem como passatempo fazer jardinagem.

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