A conclusão é feita num balanço da ação governativa da legislatura 2012-2017, último mandato de José Eduardo dos Santos como Presidente angolano, estando esta posição incluída na proposta de Programa de Governo 2017-2022, apresentada hoje em Luanda..A crise vivida desde o segundo semestre de 2014, com a "redução drástica" do preço do petróleo, baixou para 4,8% a taxa de crescimento económico de Angola, agravado em 2015 (3%) e 2016 (0,1%)..O balanço destaca que ao longo do período 2009-2016, o crescimento médio anual do setor petrolífero foi negativo (-0,96%), porém, o crescimento médio anual da economia no seu todo foi positivo (3,7%).."Tal só foi possível porque o setor não petrolífero contrabalançou a quebra do setor petrolífero com uma média de crescimento anual de aproximadamente 6,2%, com destaque para os setores da agricultura (11%), indústria (8%), construção (11,9%) e energia (14,3%)", explica a nota..Em 2016, de acordo com o balanço, a produção (económica) não petrolífera excedeu em mais quatro vezes a produção petrolífera, que vem registando quedas do seu peso na economia angolana, comparadas aos resultados de 2008 (58%), para 35% (2015) e 20% (2016).."Contudo, esta redução do peso do setor petrolífero na economia não se traduziu ainda numa alteração estrutural das exportações e das receitas do Estado, que continuam ainda fortemente dependentes de choques externos, em particular das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional", referem os dados apresentados..Nos últimos cinco anos, o partido no poder destaca que "foi enorme" o esforço feito no que respeita a recuperação das infraestruturas produtivas e sociais do país, com resultados palpáveis no domínio do abastecimento de água e energia, da reabilitação de estradas, dos caminhos-de-ferro, dos portos e aeroportos de Angola..Apesar da criação de um milhão de novos empregos entre 2011 e 2016, o partido reconhece que a taxa de desemprego angolana, situada em 24%, "ainda é relativamente alta" para os padrões internacionais.."Após o efeito sistémico da quebra do preço do petróleo no mercado internacional, o mercado de emprego registou uma forte contração, quer no emprego existente quer na criação de novos empregos", justifica..Relativamente às taxas de inflação e de câmbio, estáveis até ao ano de 2014, foram, afetadas pela baixa do preço do petróleo, gerando "um clima de instabilidade e de incerteza no mercado, derivada de um grande desequilíbrio entre a procura e a oferta de divisas".."A taxa de inflação acumulada referente ao ano de 2016 foi de 41,95%. Contudo, tem-se verificado recentemente uma relativa diminuição das taxas de inflação mensais como resultado de uma melhor coordenação entre as políticas fiscais, monetárias, cambiais, de preços e de rendimentos por parte do executivo", salienta o balanço..As taxas de juro nos empréstimos a sociedades não financeiras registaram uma redução sensível até o ano de 2014, informa o partido no poder, acrescentando que desde 2010, as taxas de juro para empréstimos em moeda nacional com maturidade superiores a um ano caíram de 24% para menos de 15%.."Esta tendência decrescente do preço do capital foi negativamente afetada com o aumento das taxas de inflação que se tem verificado nos últimos anos, sobretudo a partir de 2014. As taxas de juro ainda se mantêm em valores particularmente elevados com consequências negativas para os investimentos naqueles setores que devem dinamizar a diversificação da economia, como a agricultura, o comércio e a indústria", sublinha.