Morreu senador australiano Gordon McIntosh, apoiante da libertação timorense

O ex-senador australiano Gordon McIntosh, um dos maiores apoiantes de Timor-Leste durante toda a ocupação indonésia, morreu na tarde de domingo, divulgou o responsável do arquivo CHART, com sede em Darwin, na Austrália.

"Um apoiante de grandes princípios e tenacidade da luta timorense pela autodeterminação e independência desde 1975, o ex-senador Gordon McIntosh morreu no domingo, 10 de março", disse John Waddingham, o arquivista e responsável do projeto CHART (Clearing House for Archival Records on Timor).

Com uma página dedicada ao senador, que morreu com 93 anos, o CHART recorda a memória de alguém que diz ter tido "um papel único" na história de Timor-Leste, especialmente desde a ocupação indonésia.

Notícias da morte suscitaram inúmeras mensagens de pesar e condolências nas redes sociais em Timor-Leste, com alguns, incluindo o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, a recordarem o seu papel na luta pela libertação de Timor-Leste.

McIntosh efetuou em março de 1975 a sua primeira visita a Timor-Leste, na altura integrando uma delegação do 'caucus' do ALP, o Partido Trabalhista australiano.

A sua última visita ao país ocorreu em março de 2016 quando participou em cerimónias do Dia dos Veteranos.

Em 1982, discursou, em nome de organizações australianas, no Comité de Descolonização das Nações Unidas, combatendo diretamente a tentativa do então primeiro-ministro australiano, Gough Whitlam, que pretendia tirar a causa de Timor-Leste da agenda da ONU.

Foi membro e posteriormente responsável do Comité Permanente de Negócios estrangeiros e Defesa do Senado australiano que em 1982 e 1983 conduziu uma investigação alargada sobre Timor-Leste.

Em 1983, fez parte da delegação parlamentar australiana que visitou Timor-Leste, escrevendo na altura uma posição dissidente do relatório final da comissão, o que condicionou as tentativas do primeiro-ministro trabalhista Bob Hawke de diluir o tema timorense na política externa australiana.

McIntosh começou a sua vida laboral aos 15 anos como aprendiz nas docas de Glasgow, tendo imigrado da Escócia para a Austrália com a mulher, Betty, em 1950, tendo começado desde cedo a ser ativo no movimento sindical em Perth, na Austrália Ocidental.

Entrou no executivo estatal do ALP em 1952 e foi eleito senador em 1974, tendo ocupado o cargo até 1987.

Em 2014, recebeu a Ordem de Timor-Leste pelo seu contributo para a luta de Timor-Leste.

Foi durante a sua visita a Timor-Leste, em 2016, que o líder histórico timorense Xanana Gusmão tornou pública uma carta que enviou em 1988 ao senador australiano Gordon McIntosh em que acusou Camberra de se apropriar dos recursos timorenses no Mar de Timor.

Na carta, que enviou de Timor-Leste em abril de 1988 enquanto líder da resistência timorense à ocupação indonésia, Xanana Gusmão apelou ao apoio de McIntosh para intervir junto do seu partido para alterar a política relativamente a Timor-Leste.

Xanana Gusmão escreveu então que qualquer tentativa da resistência timorense de encontrar uma solução justa, que terminasse com as violações dos direitos humanos em Timor-Leste, que repusesse o direito internacional, esbarraria na "improcedente negativa do Governo australiano considerar a luta timorense sob um prisma positivo".

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