Antes ainda de chegar às prateleiras das livrarias, o livro de Michelle Obama "Becoming" já tinha vendido mais de três de milhões de cópias, digitais e em papel, tornando-se um dos livros mais vendidos do ano..Para promover a obra, Michelle Obama contratou uma empresa habituada a fazer as digressões de estrelas de rock e vai fazer um roteiro de conferências que passará por várias cidades dos EUA, com lugares pagos..O lançamento do livro será em Chicago, na United Center, uma arena com capacidade para sentar 23.500 pessoas..No livro, Michelle, mulher do ex-Presidente dos Estados Unidos, faz um retrato muito duro do atual Presidente, Donald Trump, a quem diz que nunca perdoará por ter estimulado uma teoria da conspiração preconceituosa sobre a naturalidade de Barack Obama..Donald Trump já reagiu ao lançamento do livro, admitindo que não o conhece e desvalorizando o seu conteúdo político: "Ela recebeu muito dinheiro para escrever um livro e espera-se sempre que traga alguma polémica"..Mas, dirigindo-se aos jornalistas, aproveitou para responder a Michelle Obama: "Bem, vou devolver-lhe um pouco de polémica: eu nunca perdoarei (Barack Obama) pelo que fez aos militares dos nossos Estados Unidos, não os financiando devidamente. Tive de ser eu a resolver isso"..A crítica à classe política conservadora americana está em muitas páginas do livro, mas é Donald Trump quem tem as referências mais duras..Michelle acusa-o, por exemplo, de ter usado uma linguagem corporal desadequada para atacar Hillary Clinton durante a campanha presidencial de 2016..De acordo com Michelle, Trump faz passar a imagem de alguém que sabe que pode magoar as pessoas e ficar impune..Em "A minha história", Michelle Obama não se restringe a questões políticas, contudo, fazendo um retrato das suas origens, do seu crescimento e do seu percurso pessoal e familiar..Michelle conta como foi crescer numa família afro-americana de classe média, nos arredores de Chicago e quanto a sua família contribuiu para se tornar no que hoje é..Os anos que passou a estudar na prestigiada Universidade de Princeton são mencionados como uma fase de consolidação da sua autoconfiança e o espaço onde aprendeu a ignorar de quem dela duvidada..E não ficam de fora episódios da sua vida mais íntima, como quando revela que sofreu um aborto espontâneo, há 20 anos, e que fez fertilização 'in vitro' para conceber as duas filhas..O retrato da família e da personalidade de Barack Obama estão muito presentes na obra, com Michelle a explicar porque se apaixonou muito rapidamente por Barack e como o seu casamento atravessou dificuldades durante os oito anos que passou na Casa Branca..A adaptação a Washington, quando Barack Obama foi eleito Presidente dos EUA, em 2008, e a forma como se procurou adaptar ao papel de primeira-dama recebem a atenção de vários capítulos..Michelle explica como procurou defender os direitos das mulheres e como lutou por promover hábitos de vida saudável nas famílias americanas, usando os média e as redes sociais digitais, para amplificar o impacto das suas iniciativas..No final, a autora procura deixar uma mensagem de esperança: "Não se trata de sermos perfeitos. (...) Há força em permitirmo-nos ser conhecidos e escutados, em usarmos a nossa voz verdadeira. E há mérito em estarmos dispostos a conhecer e a ouvir os outros. Para mim, é assim que nos transformamos".