Jornalista nicaraguense Miguel Mora mantém posições apesar de detido pelo regime

O jornalista nicaraguense Miguel Mora, detido há mais de um mês, acusado de promover o terrorismo, garantiu que não vai claudicar nem mudar de opinião, segundo um vídeo divulgado por um eurodeputado.
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"Nós não mudamos de opinião", garantiu Mora, diretor e proprietário do canal de televisão 100% Noticias, detido pelo Governo do Presidente, da Nicarágua, Daniel Ortega, no contexto da crise que o país vive desde abril, segundo um vídeo publicado na terça-feira pelo eurodeputado português José Inácio Faria.

"A nós podem fechar [o canal de televisão], ameaçar, falsificar julgamentos, deter, até nos podem matar, porque já nos mataram um companheiro [Ángel Gahona], podem atingir-nos a tiro, mas o compromisso do jornalismo digno da Nicarágua é manter a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa para as que outras liberdades possam regressar à Nicarágua", realçou o jornalista, crítico de Ortega.

Mora recebeu a visita de um grupo de eurodeputados na prisão El Chipote, onde funciona a Direção de Auxílio Judicial, em Manágua, na passada sexta-feira.

Esta prisão tem sido assinalada nos últimos anos por organismos humanitários enquanto centro de tortura.

O eurodeputado português, que integrou uma delegação do Parlamento Europeu que avaliou a situação política e social da Nicarágua, comentou na rede social Twitter que, "se bem que o regime orteguista o pretenda, o jornalismo livre não está morto".

Segundo os eurodeputados, o jornalista Mora já está sem ver o sol há 35 dias, pelo que está a perder visão, e, além da escuridão na cela, está também a dormir numa cama sem colchão e à mercê dos mosquitos, o que consideraram "inadmissível" e "intolerável".

A Nicarágua está a viver uma grave crise política desde abril, que já provocou cerca de 320 mortos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, apesar de alguns grupos elevarem aquele total para 561, enquanto o Governo apenas admite 199 e denuncia uma tentativa de golpe de Estado.

Os eurodeputados rejeitaram esta tese de golpe de Estado na Nicarágua.

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