Investigadores do Porto lideram consórcio que visa localizar redes fantasmas no mar

Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), no Porto, lideram um consórcio europeu que visa, através de sensores, localizar as "redes fantasmas" que se perdem no mar e assim "reduzir o lixo", revelou hoje a responsável.

"Nós temos de reduzir o lixo marinho. O nosso foco é atuar nessa redução, mas de uma forma preventiva, ou seja, na mudança de comportamentos, porque vamos centrar a nossa atuação num setor que acaba também por ser vítima do lixo marinho, que é a pesca", contou Marisa Almeida, a coordenadora do projeto.

Em entrevista à Lusa, Marisa Almeida explicou que o projeto, denominado NetTag, e iniciado em janeiro, vai assumir duas abordagens: uma preventiva e outra de sensibilização junto dos pescadores da zona noroeste de Portugal e da Galiza, as áreas abrangentes do projeto.

"Vamos ter uma abordagem de sensibilização, que é também preventiva. A ideia é promover as boas práticas a bordo. Aí, para além de sensibilizarmos para esta questão do lixo, vamos também mostrar-lhes a inovação tecnológica", sublinhou.

Durante os próximos dois anos, o NetTag, pretende assim desenvolver "tags acústicas" (localizadores), que, ao serem "pequenas" e "facilmente utilizáveis", vão permitir a localização das redes perdidas, e ainda, "robôs autónomos" que vão facilitar a "recolha" das mesmas.

"As 'tags' são silenciosas e só são ativadas pelo pescador. A ideia é que cada pescador tenha as suas próprias 'tags', de modo a que só o pescador é que a ativa e mais ninguém recebe esse sinal", esclareceu.

Segundo Marisa Almeida, no âmbito deste consórcio, a equipa do CIIMAR vai avaliar o "impacto das redes a nível ambiental", nomeadamente a poluição que provocam ao "libertarem microplásticos" e "contaminantes poluentes" como hidrocarbonetos.

"Vamos selecionar um ou dois pontos que conhecemos aqui na costa para fazermos esta avaliação do impacto, mas também vamos proceder a várias experiências em laboratório controladas", afirmou, adiantando que a equipa de investigadores do CIIMAR está a desenvolver um inquérito que tem como objetivo perceber "a quantidade de lixo que é transportada a bordo das embarcações, como a quantidade de lixo que é pescada".

"Estamos a trabalhar com eles [pescadores] a questão do lixo que produzem a bordo, porque numa embarcação há sempre a questão do espaço. A nossa ideia é também perceber o que fazem quando pescam o lixo e se há alguma forma de eles transportarem o lixo recolhido a bordo da embarcação", salientou.

Além do desenvolvimento de sistemas inovadores e da avaliação do impacto ambiental, o projeto visa ainda promover 'workshops' junto dos pescadores, de modo a que esta comunidade se "envolva", participe "na tomada de decisões" e tenha uma "voz ativa" relativamente às políticas das pescas.

"Eles têm também todo o interesse em mostrar que também são vítimas do lixo marinho. Esta também será uma forma de os pescadores mostrarem que não são os grandes culpados da quantidade de lixo que anda por aí e, assim, limparem a sua imagem", acrescentou a coordenadora do projeto.

O projeto NetTag é financiado pelo Executive Agency for Small and Medium-sized Enterprises (EASME), através do European Maritime and Fisheries Fund (EMFF) e conta com a colaboração do Instituto Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), da Universidade de NewCastle (Inglaterra), de Aveiro, de Santiago de Compostela (Espanha) e ainda com duas associações de pescadores, a APMSHM (Associação Pró Maior Segurança dos Homens no Mar) e a ARVI (Associação de armadores de pesca do porto de Vigo) e de uma empresa internacional de redes de pesca, a Euronet.

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